Ministro de Energia é 'vergonha alheia', diz Marina

Candidata do PSB ataca critérios de escolha de Dilma para montar equipe de governo e cita Edison Lobão como exemplo; ele foi citado pelo ex-diretor da Petrobrás em suposto esquema de propina

ANA FERNANDES, Agência Estado

11 de setembro de 2014 | 10h53

Atualizado às 11h23

São Paulo - A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira, 11, que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, provoca "vergonha alheia" quando fala sobre assuntos relacionados à pasta que comanda. Um dos políticos mencionados no suposto esquema de propinas existente na Petrobrás denunciado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, Lobão foi usado como exemplo por Marina para fazer críticas ao governo atual.

Em entrevista ao jornal O Globo nesta manhã, a candidata voltou a defender seu discurso de governar com os "bons" e criticou o método da presidente Dilma Rousseff para escolher os quadros de seu governo. "Passaram a esquecer as pessoas e a se dirigir apenas aos partidos", afirmou. "Querem continuar com essa estrutura, em que um diretor assalta os cofres da Petrobrás?", questionou, ao fazer referência as denúncias recentes feitas por Paulo Roberto Costa.

Marina insistiu os "bons" estão em todos os lugares e em todos os partidos, reforçando também seu argumento contra a polarização tradicional entre PT e PSDB. A candidata disse que sua proposta tem sido muito atacada e voltou a defender que ela é factível, apesar de partir de um sonho. "Eu sonho com uma governabilidade programática, não com uma governabilidade pragmática", afirmou. Em seguida, disse que hoje há quadros que causam vergonha, como o ministro Edison Lobão. "Temos um ministro de Energia que é vergonha alheia quando fala de energia", disse Marina.

A candidata criticou novamente também o perfil gerencial da presidente. "O Brasil não precisa de gerentes. Lula não era gerente, era um homem com visão estratégica", disse Marina, complementando que Fernando Henrique Cardoso também não foi um presidente gerente. "Em 2010, a gente passou a ter um concurso de gerente entre Dilma e Serra."

Alckmin. Marina reconheceu ter diferenças com o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, cujo vice é o deputado Márcio França, integrante do partido da ex-ministra. A candidata foi publicamente contrária à aliança.

Durante a entrevista, Marina ainda criticou o fato de o Estado ser governado há 20 anos pelo PSDB e reafirmou sua promessa de não concorrer a reeleição se vencer o pleito em outubro. Ela assegurou até que, mesmo que o Congresso Nacional não aprove sua proposta de que os mandatos passem a cinco anos de duração, sem reeleição, ela ainda assim não pretende concorrer a segundo termo, se eleita.

Marina falou também sobre crise hídrica que ocorre em São Paulo e acusou Alckmin de, por motivos eleitoreiros, não seguir o planejamento adequado nem adotar uma política de racionalização do uso da água. "O PSDB está há 20 anos em São Paulo e estamos vivendo uma das piores crises de abastecimento de água. Foram desmontados os comitês de bacia, todo o processo virtuoso que nós tínhamos", afirmou. E diferenciou "racionalização" de "racionamento".

Sobre o ex-governador tucano José Serra, que vem sendo citado por Marina entre as pessoas "boas" com quem pretende governar, disse que é uma citação "simbólica". "Nós tivemos uma convivência no Senado, onde ele, por exemplo, me ajudou a aprovar o subsídio para borracha dos extrativistas."

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