Ministro da Saúde nega ligação com ex-assessor

Edson Pereira de Oliveira, segundo a 'Veja',teria recebido R$ 200 mil de empresas que mantêm contratos com hospitais federais no Rio de Janeiro

IURI DANTAS/BRASÍLIA., O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2012 | 03h09

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, convocou ontem entrevista coletiva para negar proximidade com seu ex-assessor especial Edson Pereira de Oliveira, acusado pela revista Veja de receber R$ 200 mil de empresas que mantêm contratos com hospitais federais do Rio de Janeiro.

"Não tenho nenhum motivo para ter encontro pessoal com ele", afirmou o ministro, que acrescentou não ter sentido vontade de ligar para Oliveira após ser procurado pela reportagem da revista, na segunda-feira, dia 26 de março.

Depósitos. Segundo a Veja, Oliveira recebeu três depósitos, em junho do ano passado, de ao menos "dois empregados de uma empresa farmacêutica que recebeu R$ 3,8 milhões", desde 2009, em contratos assinados com hospitais federais do Rio. Questionado, o ministro disse ontem não saber que contratos seriam esses porque a revista não o informou sobre isso. Padilha ressaltou que encaminhou os dados apurados pela revista para a Controladoria Geral da União.

A revista diz que o deputado Cristiano (PT do B-RJ) teria oferecido o dinheiro a Oliveira para o pagamento de dívidas de campanha. Ontem, o ministro da Saúde explicou que escolheu seu ex-assessor - que seria filiado ao PMDB - para a função porque "ele tinha experiência e contato com parlamentares e prefeitos".

Padilha negou manter contato com Oliveira fora dos horários de expediente, mas admitiu que o conhece desde o "final da década de 1980, início da década de 1990" e que "tinha despachos frequentes com ele, como com qualquer assessor parlamentar".

"Tenho ritmo de trabalho que termina onze da noite, meia noite. Agora, é logico, se teve algum encontro, com outros funcionários do ministério, não só no tempo do ministério como da SRI (Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República), não só comigo, pode ter tido encontro sim."

Demissão. Padilha disse que Oliveira foi demitido no dia 27 de dezembro, depois que ele se ausentou do trabalho "por questões pessoais" sem autorização. O auxiliar teria pedido uma redução de carga horária, mas isso seria "incompatível" com a função de assessor parlamentar, segundo Padilha. Diante disso, o ministro demitiu Oliveira. "Estou indignado", afirmou o titular da Saúde.

Durante a entrevista, Padilha também citou uma reestruturação administrativa implementada por ele nos hospitais federais do Rio de Janeiro, que resultou na economia de R$ 50 milhões para os cofres públicos.

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