Ministra quer ação da PF em crimes de direitos humanos

Para Maria do Rosário, violência contra jornalistas que cobrem protestos prejudica a liberdade de imprensa

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2013 | 02h03

RIO - A secretária nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, defendeu nessa terça-feira, 15, a atuação da Polícia Federal na investigação de crimes de violação dos direitos humanos, inclusive assassinatos de jornalistas, como forma de garantir a ação autônoma e o combate à impunidade.

A ministra esteve nessa terça no último dia do 8.º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e também criticou a violência policial contra jornalistas durante as manifestações iniciadas em junho e propôs uma discussão sobre a desmilitarização da Polícia Militar. Levantamento da Abraji aponta que houve 83 ataques a jornalistas nos protestos - 85% praticados por policiais; 15% por manifestantes e outros grupos.

Para Maria do Rosário, a violência contra profissionais que cobrem protestos representa uma violação à liberdade de expressão e é responsabilidade do Estado garantir mais segurança para o trabalho jornalístico.

Ativistas. "Trabalho pela federalização de crimes como o praticado contra o jornalista Rodrigo Neto, em Minas Gerais, e também contra os ativistas de direitos humanos, os que lutam em defesa da terra, da floresta, pelos direitos dos indígenas, das mulheres", disse ela em debate sobre violência contra jornalistas promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH), em atividade paralela ao encontro internacional de jornalismo investigativo, que, em quatro dias, reuniu 1.300 pessoas de 87 países, na PUC do Rio.

O repórter policial e radialista Rodrigo Neto foi morto em Ipatinga (MG) em março passado. É um dos cinco jornalistas assassinados em 2013 no Brasil.

Em dezembro, no Fórum Internacional de Direitos Humanos, em Brasília, o grupo de trabalho formado pela SDH para apurar a violência contra jornalistas apresentará um relatório.

Representante da Unesco no Brasil, o francês Lucién Muñoz informou que mais de 600 jornalistas foram mortos no mundo nos últimos dez anos, a maior parte deles nas localidades onde moram e trabalham.

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