Ministério Público pede quebra de sigilos de ex-presidente do BNB

Economista é suspeito em caso de desvio de verba quando integrava governo cearense; ele nega ilegalidades

LAURIBERTO BRAGA /, ESPECIAL PARA O ESTADO, FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2012 | 03h06

O procurador-geral de Justiça do Ceará, Ricardo Machado, ingressou ontem com uma ação civil pública na qual pede a indisponibilidade dos bens e quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente do Banco do Nordeste do Brasil Jurandir Vieira Santiago. O economista é acusado de ter recebido R$ 100 mil por meio de desvio de recursos destinados à construção de kits sanitários em Ipu, na região norte do Ceará, na época que era secretário adjunto de Cidades do governo estadual, em 2009 e 2010. Santiago deixou anteontem o comando do BNB. Segundo seu advogado, Hélio Leitão, a saída foi uma medida para preservar a imagem do banco.

Segundo apurações do Ministério Público, o esquema desviou a verba dos kits sanitários para uma conta corrente do posto de combustível Boa Vista, em Fortaleza, do qual Santiago era sócio. Ele deixou a sociedade no posto três dias depois de o dinheiro entrar na conta do posto, no dia 1.º de junho de 2009.

Passaporte. O advogado de Santiago entregou na manhã de ontem o passaporte de seu cliente ao Ministério Público. Segundo Leitão, essa foi uma garantia de que o ex-presidente do BNB não pretende viajar para o exterior enquanto as investigações do chamado "escândalo dos banheiros" continuarem. "Meu cliente está tranquilo e disposto a prestar todos os esclarecimentos que a Justiça solicitar."

Leitão também entregou ao Ministério Público a carta de exoneração de Santiago do comando do BNB. O advogado disse que o cliente está reunindo provas para o processo.

A saída de Santiago da presidência do banco ocorre em meio a uma outra investigação, esta sobre o suposto desvio de verbas obtidas com operações de crédito. Elas chegaram a R$ 100 milhões, segundo auditoria interna do banco. O esquema seria operado pelo ex-chefe de gabinete de Santiago, Robério do Vale Gress, por meio de liberação de créditos para empresas fantasmas que apresentaram ao banco notas fiscais frias. No fim, o dinheiro acabava num caixa 2 de petistas do Estado. O partido nega as suspeitas levantadas pela PF. Quando as operações de crédito foram realizadas, entre 2010 e o início de 2011, Santiago ainda não era presidente do BNB.

O Conselho de Administração do Banco nomeou interinamente como presidente do BNB o diretor de negócios, Paulo Sérgio Rebouças Ferraro. A crise das operações de crédito levou a mudanças. O Conselho exonerou ontem os diretores José de Alencar Júnior e Isidro Moraes de Siqueira, além de transferir Stélio Gama Lyra Júnior da Diretoria Administrativa e de Tecnologia da Informação para a Diretoria de Gestão do Desenvolvimento. Foram nomeados Nelson Antonio de Souza para a Diretoria Administrativa e de Tecnologia da Informação e Manoel Lucena dos Santos para a Diretoria de Controle e Risco.

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