Ministério Público pede proteção para líderes ameaçados no Pará

No sábado, assentado foi morto após denunciar que estava sendo ameaçado por revelar ação de madeireiros

CARLOS MENDES, ESPECIAL PARA O ESTADO / PARÁ, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 03h06

Depois do assassinato de mais um líder rural no Pará, o Ministério Público Federal pediu à Polícia Federal que garanta proteção a denunciantes ameaçados de morte na região de Altamira e Itaituba, no sudoeste do Pará. No sábado, João Chupel Primo, de 55 anos, foi morto horas depois de comunicar à polícia as ameaças que vinha sofrendo por denunciar grilagem de terras e exploração madeireira ilegal na Resex Riozinho do Anfrísio e na Floresta Nacional Trairão.

A polícia ainda não tem pista dos assassinos. Além de Primo, que coordenava a comunidade católica de Miritituba, outras duas pessoas denunciaram que também estão sendo ameaçadas por madeireiros da região. Conforme a polícia, o líder rural foi morto com um tiro na cabeça, em uma oficina mecânica, na própria comunidade.

De acordo com a polícia de Itaituba, Primo forneceu detalhes sobre a atuação de madeireiros que devastam as florestas da região. O líder rural também repassou as informações para a Polícia Federal em Santarém e para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, responsável pela administração das unidades de conservação que estão sendo invadidas pelos madeireiros.

Esquema. Segundo as informações do líder assassinado, para chegar à área de onde retiram a madeira, os criminosos utilizariam uma estrada de acesso ao Assentamento Areia, liderado por Primo. A madeira seria retirada à noite, quando não há fiscalização. Em média, 20 caminhões deixariam o local todos os dias carregados com toras de alto valor no mercado internacional.

Uma operação do ICMBio, para reprimir os criminosos, foi iniciada, mas logo suspensa por falta de segurança para os agentes ambientais.

Anteontem, um soldado do Exército chegou a trocar tiros com pistoleiros entrincheirados na mata. O militar ficou perdido na floresta por cinco dias. Sem o apoio do Exército, que saiu da área, a Polícia Militar não quis participar da operação.

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