Ministério favorece prefeitos do PC do B

'Esporteduto' beneficia 37% das cidades onde partido venceu eleição em 2008; taxa de atendimento é a maior entre todas as legendas

DANIEL BRAMATTI, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2011 | 03h04

Mais de um terço das prefeituras comandadas pelo PC do B estão na lista das atuais beneficiadas por recursos do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, pasta que é controlada pelo partido desde 2003. Em termos proporcionais ao desempenho eleitoral, o partido é o líder disparado do ranking de convênios.

Dos 41 prefeitos que os comunistas elegeram nas últimas eleições, 15 (37%) recebem recursos do Segundo Tempo, programa destinado a jovens e crianças "em situação de risco social". Empatados, PT e PPS têm a segunda maior taxa de prefeitos atendidos - apenas 7%.

Em números absolutos, o número de convênios conquistados pelo PC do B é igual ao assinado por prefeitos dos oposicionistas PSDB e DEM - 15 cada um. Isso foi alardeado pelo Ministério do Esporte como prova de que os recursos são distribuídos de acordo com critérios técnicos, e não políticos. Mas PSDB e DEM elegeram, respectivamente, 18 e 11 vezes mais prefeitos que os comunistas - o fato de não haver uma proporção próxima a essa na assinatura dos convênios é evidência estatística que de que o favorecimento partidário é o que predomina.

Critérios. Os dados ressaltam o alcance do "esporteduto" montado pelo PC do B, que, conforme revelou o Estado em uma série de reportagens, também alimenta com verbas federais uma rede de militantes instalada em organizações não governamentais e secretarias municipais e estaduais de Esportes por todo o País.

Os números também demonstram que o "aparelhamento" das verbas federais não sofrerá impacto apenas com o fim dos convênios com ONGs e sua substituição por prefeituras, medida anunciada pelo novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, logo depois de ser indicado para o cargo. Rebelo, assim como o antecessor, Orlando Silva, é um dos líderes nacionais do PC do B.

Características. Das 15 prefeituras comandadas por comunistas e beneficiadas por recursos do ministério, a maioria são de cidades pequenas, e apenas três têm razoável peso político e populacional - Aracaju (SE), Olinda (PE) e Juazeiro (BA). Um terço dos municípios tem menos de 15 mil habitantes, e em mais da metade o número de moradores não chega a 30 mil.

Isso não impede que essas cidades estejam entre as que têm, em termos proporcionais, as maiores quantidades de jovens atendidos pelo programa Segundo Tempo - fator determinante para o volume dos repasses financeiros.

Na pequena São Sebastião do Passé (BA), por exemplo, há 3 mil adolescentes atendidos, divididos em 30 núcleos do programa. A população tem pouco mais de 40 mil habitantes, ou seja, em tese, 7% da população é beneficiada. Em Santos (SP), onde o prefeito é do PMDB, também há 30 núcleos para 3 mil atendimentos, mas a cidade tem quase dez vezes mais moradores que São Sebastião do Passé.

Em números absolutos, o maior dos convênios, com 32 mil atendidos, foi fechado com a prefeitura do Rio de Janeiro - onde o secretário municipal dos Esportes é do PC do B.

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