'Minhas decisões serão programáticas'

Marina convoca imprensa para dizer que não decidiu seu futuro político e passa mensagens cifradas a respeito de eventual candidatura

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2013 | 02h04

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva passou mensagens cifradas sobre seu futuro político. Afirmou em entrevista ontem que a Rede, cujo registro foi rejeitado, não é um "mero projeto eleitoral" e enfatizou a necessidade de "renovação" no atual quadro político do País.

Atualmente, Marina está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos para a sucessão presidencial de 2014. Fica atrás apenas da presidente Dilma Rousseff, líder segundo todos os institutos. Marina tem até hoje para se filiar a um novo partido se quiser disputar.

Ela disse ter ficado "triste" ao ouvir de ministros do Tribunal Superior Eleitoral conselhos para que buscasse outros partidos a fim de se candidatar em 2014. Mas disse também que as conversas sobre uma possível filiação a um partido que lhe dê guarida vão levar em conta um "diálogo programático".

Vestida com uma camisa da Rede, Marina iniciou a entrevista avisando que não tinha decisão a anunciar. Reafirmou o conceito de que seu grupo já é um partido, ainda que sem registro formal. A ex-ministra do governo Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que um de seus objetivos é evitar uma polarização entre quem é "situação por situação e oposição por oposição", mas disse não ser a única pessoa capaz de quebrar esse processo.

"A Rede não é um mero projeto eleitoral, o que significa que as eleições fazem parte, mas não são um fim", disse ela.

Marina descreveu a situação como uma das três mais complexas de sua vida. "Já me deparei com situações muito complexas na minha vida. A primeira foi quando perdi minha mãe. A segunda foi o processo difícil de sair do PT e a terceira está sendo essa decisão que estou tendo que tomar até amanhã (hoje)."

Questionada de diversas formas sobre com quais partidos estaria mais propensa a negociar esquivou-se de dar nomes. "As minhas decisões serão programáticas e não terão caráter pragmático", afirmou.

Marina disse que as legendas têm sido respeitosas ao pedir sua filiação. Ela disse que vai buscar observar quais são as pessoas identificadas com os ideais de seu grupo político.

Avançando para assuntos que poderá debater em eventual campanha, criticou o que seriam retrocessos em relação à demarcação de terras indígenas e disse ver risco de se perder avanços em áreas econômicas e sociais, como saúde e educação.

Ela voltou a criticar os cartórios eleitorais afirmando que pela atitude de rejeição de fichas de forma injusta foi retirado o direito da Rede de obter o registro legal. Disse que seu grupo tem base social consolidada em todas as unidades da federação e que o partido teve sua "ética" e "coerência" reconhecidas pelo TSE nos votos dos ministros.

A "coerência" já tinha sido indicada pela ex-ministra na madrugada de ontem. Questionada se haveria tal preceito na decisão de se filiar a outro partido apenas para disputar uma eleição não avançou no tema e disse apenas que o objetivo é buscar um caminho "compatível e coerente". / EDUARDO BRESCIANI

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