Mineiros se negam a ceder comando do PSDB para Serra; Alckmin pede cautela

Em meio a um debate interno sobre o papel do ex-governador José Serra no PSDB, aliados do senador Aécio Neves (MG) defenderam ontem que o presidenciável seja eleito presidente do partido e não admitem que o cargo seja cedido ao paulista numa negociação interna. Já o governador Geraldo Alckmin (SP) seguiu linha diferente: em reunião com a bancada de deputados federais do PSDB, adotou cautela e disse avaliar que a presidência da sigla pode não ser boa para Aécio.

O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h08

O senador marcou para a noite de ontem um encontro com Serra para conversar sobre a participação do ex-governador no PSDB. A reunião também teria uma função diplomática para tentar reverter o mal-estar no partido - e foi defendida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como forma de buscar uma unidade interna.

No final da semana passada, aliados do ex-governador pediram a presidência do PSDB para Serra, como revelou o Estado no sábado. O tucano disse que não autorizou ninguém a negociar em seu nome e não declarou se teria interesse no cargo. Serra tem mantido conversas com o PPS e ameaça deixar o PSDB.

Em almoço com os parlamentares paulistas no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin disse que a presidência do partido pode ser uma fonte de problemas burocráticos para Aécio e que o senador deveria agora se dedicar a percorrer o País. E declarou que a disputa pelo Planalto é mais que uma disputa interna. Dois parlamentares argumentaram e disseram que a nomeação de Aécio para a presidência do partido já estava avançada e que não havia mais como o senador recuar.

"Alckmin não quer deixar Aécio na zona de conforto", afirmou um dos participantes do encontro. O governador paulista é potencial candidato à Presidência em 2018 e não tem interesse em entregar o controle total do partido para o grupo de Minas.

Alckmin, no entanto, não mencionou sua opinião sobre a indicação de Serra para o comando do PSDB. No Bandeirantes, os tucanos defendem que o ex-governador seja indicado para o Instituto Teotônio Vilela (ITV), centro de estudos do partido. Em 2011, a direção tucana estudou entregar o cargo a Serra, mas o posto ficou com o ex-senador Tasso Jereissati (CE), aliado de Aécio.

Mesmo os tucanos de Minas admitem que será necessário "integrar Serra ao projeto partidário" com o objetivo de unificar o PSDB, mas esperam que o ex-governador apresente abertamente suas pretensões antes. Os aliados do senador acreditam que uma articulação mais suave deve ser conduzida pelos tucanos de São Paulo: Alckmin e FHC.

Estratégia. Ontem, o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), defendeu a escolha de Aécio para o comando da sigla como "um passo importante" na estratégia para a eleição presidencial de 2014, e também como um "fator de renovação das ideias e avanço cada vez maior do partido".

O governador disse acreditar em uma composição das correntes partidárias em torno do nome de Aécio para suceder o deputado Sérgio Guerra (PE) no comando do partido e, com isso, fortalecer sua pré-candidatura. A eleição para escolher o novo presidente do PSDB será em maio.

"Se o senador Aécio Neves vier a ser indicado presidente, será positivo para o partido. Ele vai percorrer o País levantando as bandeiras do PSDB e discutindo os temas nacionais mais relevantes. Acho que haverá grande unidade em torno do senador Aécio Neves. Quando chegarmos em maio (mês da convenção do PSDB), vai estar tudo bem avançado, teremos uma composição", afirmou o governador.

Aliados de Aécio afirmam que não há hipótese de o senador abrir mão da presidência do PSDB para contemplar Serra. Eles alegam que o cargo é fundamental para que o mineiro assuma formalmente o papel de porta-voz da oposição (tanto na tribuna do Senado quanto em entrevistas para a imprensa) e para que articule pessoalmente a formação de palanques estaduais que darão sustentação a sua candidatura à Presidência.

"O PSDB está na oposição na esfera federal há 12 anos. Temos que traçar, de maneira muito firme, com muita objetividade, tranquilidade, serenidade e muito realismo quais são nossas metas e propósitos para a eleição presidencial de 2014. E acho que passa pela eleição do senador Aécio presidente do partido - claro que ouvindo e respeitando todas as lideranças importantes. Acho que chegaremos a uma boa unidade em maio, sou otimista", declarou Anastasia.

O governador mineiro disse não acreditar na saída de Serra do PSDB. "É uma questão de foro íntimo, mas não acredito. É uma especulação que se faz. Ele (Serra) é fundador, muito identificado e um elemento muito importante para o partido." / BRUNO BOGHOSSIAN, JULIA DUAILIBI, LUCIANA NUNES LEAL, VINICIUS NEDER e THAIS ARBEX

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