'Minas sempre foi importante na política. Para o bem e o mal'

De seu apartamento no bairro de classe média de Santo Antônio, em Belo Horizonte (BH), o cineasta Helvécio Ratton viu dois helicópteros sobrevoando durante horas, na tarde de sexta-feira, o ponto mais alto da cidade, onde fica a torre da Polícia Federal (PF). "Imaginei que estivessem perseguindo alguém", conta o diretor de O Menino Maluquinho.

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2013 | 02h06

Ligou a TV, viu que os condenados do mensalão em Minas se entregavam e concluiu que os helicópteros faziam a segurança da operação. "Achei excessivo", critica Ratton, referindo-se também à transferência dos presos para Brasília. "Quem é condenado por corrupção deve ser preso, e isso devia ser normal. Se fosse menos espetacular, funcionaria mais, do ponto de vista pedagógico."

Ironicamente, o relator do caso e responsável pelos mandados de prisão é um mineiro, o presidente do STF, Joaquim Barbosa. "Todo mineiro que sai do Estado trai Minas, pois acha que quem ficou é caipira", observa um jornalista veterano, na tentativa de explicar a atitude do juiz para com os conterrâneos.

Já o advogado de um dos condenados analisa que foi a primeira vez que Barbosa expediu mandado de prisão e que ele e os outros ministros do STF, todos sem experiência nessa área, fixaram pena. Por isso, segundo o advogado, o mandado estava "cheio de erros". "Ele não sabe as recomendações que um mandado deve conter", diz. "A PF cumpriu, mas depois não se sabia o que fazer com os presos."

A psicóloga Nilda Maria Ribeiro crê que as prisões "têm um significado para o País no sentido de concluir o processo, de não terminar em pizza". "Eu esperaria que isso se torne mais comum, que se possa construir uma nova cultura política", diz. O fato de os participantes do mensalão se concentrarem no Estado e de haver ainda o mensalão mineiro, que está na fase de audiências na primeira instância em BH para os réus sem foro privilegiado, não chega a surpreendê-la. "Minas sempre teve participação importante na vida política do País", diz ela. "Para o bem e para o mal." / L.S.

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