Minas gastou R$ 6, 4 milhões com medalhas para autoridades

Gasto engloba gestões de Aécio e Anastasia; hábil negociador político, o hoje senador agraciou petistas como Lula, Padilha e Palocci

Marcelo Portela / Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2013 | 10h58

Hábil na costura política, Aécio Neves esbanjou homenagens a autoridades políticas quando governou Minas Gerais. Nos dois mandatos de Aécio Neves e durante a gestão de seu sucessor, o também tucano Antonio Anastasia, o governo mineiro desembolsou R$ 6,4 milhões com a concessão de 11 diferentes tipos de medalhas e comendas para autoridades.

Aécio conduziu, a partir de 2003 - quando assumiu a administração estadual -, cerimônias de grande pompa, mas os tucanos, em especial os paulistas, hoje assediados pelo mineiro, não tiveram muito espaço nas maiores condecorações. Na primeira solenidade que presidiu, o mineiro agraciou, em Ouro Preto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Grande Colar da Inconfidência, a maior honraria concedida pelo Estado.

Criada por Juscelino Kubitschek em 1952, essa é a principal comenda do Estado e, nos últimos onze anos, consumiu investimentos de R$ 3,9 milhões. Nos últimos dez anos, também receberam o Grande Colar o ex-vice-presidente José Alencar e a presidente Dilma Rousseff, oradora oficial do evento em 2011, além do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, entre outros.

A situação não foi muito diferente com a Grande Medalha da Inconfidência, segundo maior grau dos quatro que existem na comenda, e que já foi concedida a petistas como os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e José Eduardo Cardozo (Justiça), o ex-ministro Antônio Palocci e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (RS). Neste grau, foram agraciados integrantes do PSDB, mas principalmente deputados estaduais e federais aliados de Aécio. O tucano paulista de maior destaque condecorado com a comenda foi Alberto Goldman, que havia acabado de assumir o governo paulista com a renúncia de Serra para disputar a eleição presidencial de 2010, na última cerimônia presidida por Aécio - que também renunciou para concorrer ao Senado.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu a honraria, mas 1985, das mãos do ex-governador Hélio Garcia. José Serra também foi condecorado com a medalha, mas a homenagem foi feita em 1995, pelo ex-governador e atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB), quando o paulista ocupava o cargo de ministro do Planejamento e Orçamento na gestão de FHC.

'Critérios institucionais'. Por meio de nota, a assessoria de Aécio Neves observou que "não há como confundir critérios institucionais" com "decisões políticas pessoais" do chefe do Executivo para a concessão de comendas e salientou que, no caso da Medalha da Inconfidência, por exemplo, há um conselho para escolha dos agraciado. A nota condena "as reiteradas tentativas que vêm sendo feitas de utilizar a imprensa para tentar criar a falsa ideia de animosidade entre membros do PSDB".

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