Militares vão abrir dados, diz Amorim

Ministro afirma que Forças têm dever de ajudar e que vão dar acesso a centros de informação

LEONENCIO NOSSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h36

O ministro da Defesa, Celso Amorim, sinalizou ontem que vai atuar para abrir os centros de informação das Forças Armadas para a Comissão Nacional da Verdade, que investiga crimes cometidos por agentes do Estado de 1946 a 1988. "A lei diz que nós temos todo o dever de cooperar", afirmou. "Em termos gerais, tudo estará aberto."

O ministro fez as declarações numa entrevista coletiva após encontro com integrantes da Comissão. Os centros de informação da Aeronáutica (Cisa), do Exército (CIEx) e da Marinha (Cenimar) guardam as memórias da repressão política, especialmente do regime militar (1964-1985), conhecidos como "arquivos secretos da ditadura".

Foi desses centros militares que saíram, em 1993, três listas com algumas informações sobre guerrilheiros do PC do B mortos na região do Araguaia, no começo dos anos 1970.

Desde 1985, início do governo civil de José Sarney, as Forças Armadas mantêm o discurso de que não existem arquivos oficiais. Os militares, no entanto, nunca permitiram a entrada de representantes de áreas civis do governo ou da Justiça nos centros de informação.

O CIEx, antigo CIE, em especial, organizou durante os governos de Garrastazu Médici (1969-1974) e Ernesto Geisel (1974-1979) a política de extermínio de grupos que recorreram às armas para tentar derrubar o regime militar.

Grupos de direitos humanos contam com a abertura dos centros para ter acesso às documentações ali disponíveis e, assim, esclarecer de que forma morreram os militantes políticos que deles faziam parte.

Hesitação. No início da entrevista, Celso Amorim esquivou-se ao ser questionado sobre a possibilidade de abertura dos centros de informação militares. Ao ser questionado sobre a possibilidade de abrir esses arquivos, ele chegou a dizer que não se falou "sobre isso" no encontro da comissão.

Em seguida, admitiu que "tudo foi falado", sem especificar a questão dos centros. Aos poucos, no entanto, o ministro deu sinais de que "o coração" da memória oficial da repressão poderia ser aberto.

Amorim não informou, no entanto, quando isso poderá ocorrer e sob quais condições.

Na entrevista, o ministro disse que a Comissão da Verdade é o "último capítulo da história da abertura democrática do Brasil". E acrescentou: "Vamos facultar todas as informações pedidas que possam ajudar à Comissão da Verdade".

"Reiteramos a disposição do Ministério da Defesa de cooperar e colaborar com os integrantes da comissão", concluiu.

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