O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2012 | 03h04

Setores militares ficaram irritados com a escolha da advogada Rosa Maria da Cunha, que defendeu a presidente Dilma Rousseff no período militar, para a Comissão da Verdade. Embora tenham sido unânimes em afirmar que os nomes da comissão "não foram tão ruins como se pensava", como disse o general de Exército da reserva e ex-comandante Militar do Leste Luiz Cesário da Silveira Filho, todos atacaram a decisão da presidente de nomear a advogada Rosa Maria, que a representou quando esteve presa durante o regime militar.

O general de Exército da reserva Maynard Santa Rosa, que perdeu o cargo há dois anos exatamente por condenar o que chamou na ocasião de "a Comissão da Calúnia", observou que a indicação de Rosa Maria demonstra a intenção da presidente de fazer militância política, embora investida em cargo de Estado.

O general Cesário acha que a nomeação da advogada de Dilma demonstra que a comissão será "facciosa". Já o general Santa Rosa afirmou que a presidente, ao nomear "uma preposta", está fazendo "militância político-partidária". Para ele, "na verdade, os nomes não interessam porque esta comissão é uma aberração e está fadada ao fracasso total". E emendou: "A comissão burla o espírito da Lei de Anistia e não acredito que, neste prazo, será feito um trabalho científico".

Na opinião do general Cesário, "64 é uma história que não se apaga e nem se reescreve". Ele teme que "só os militares fiquem expostos e crucificados". E desabafou: "Essa gente que assaltou e que matou não vai se expor. Se esta gente da VAR-Palmares ou da ALN, que queria instituir o comunismo no Brasil, tivesse vencido, hoje viveríamos em um País igual a Cuba. Se hoje há liberdade é porque defendemos este País".

O presidente do Clube Naval, almirante Veiga Cabral, está certo de que a comissão penderá "para o lado dos militantes". Ele pede que militares e parentes deles mortos por guerrilheiros também sejam ouvidos. "Não foi só um lado que sofreu violência."

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