Militares argentinos agiram no Rio para sequestrar casal

No dia 12 de março de 1980, Horácio Campiglia seria sequestrado no aeroporto do Galeão, no Rio. Ele chegava do Panamá. O argentino com nacionalidade italiana nascido em 1949 era do comando dos Montoneros e, depois do sequestro, seria morto.

ENVIADO ESPECIAL / BOLONHA , O Estado de S.Paulo

03 Março 2014 | 02h07

Horácio foi preso com sua companheira, Mónica Susana Pinus de Binstock. A inteligência argentina havia recebido informações de que ambos, que viviam no México, estariam planejando uma volta a Buenos Aires a fim de poder liderar as ações da guerrilha a partir de território argentino.

Ao obter confirmações, os militares argentinos teriam feito um pedido ao governo brasileiro para que fossem autorizados a agir no Rio assim que o avião vindo do Panamá pousasse. Com o sinal verde de Brasília, um grupo especial de Buenos Aires voou ao Brasil sob o comando do tenente coronel Román, em um C-130 das Forças Aéreas Argentinas. Horácio e Monica seriam capturados e levados de volta a Buenos Aires nesse aparelho.

Para não despertar a desconfiança dos demais Montoneros, os militares argentinos confiscaram os documentos dos sequestrados e, em nome do casal, um homem e uma mulher se registraram num hotel do Rio de Janeiro.

Assim, deixavam supostos rastros de que Horácio e Monica estavam seguros na capital fluminense. Na realidade, seriam levados para a prisão clandestina "Campo de Mayo", na Argentina. Horácio jamais reapareceria.

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