Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação
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Militar candidato a prefeito não decola nas capitais

As exceções são Salvador e Fortaleza, onde concorrentes que ostentam patente militar no nome de urna passaram de dois dígitos em pesquisas de intenção de voto

Regina Bochicchio / Especial para o Estadão, Salvador

14 de novembro de 2020 | 16h44

SALVADOR - Apesar da onda de candidaturas de militares e policiais registrada nas eleições deste ano, tanto para prefeituras quanto Câmaras Municipais, entre as nove capitais onde há candidato que ostenta patente militar no nome de urna, somente em Fortaleza (CE) e Salvador (BA) esses representantes passaram de dois dígitos nas intenções de votos, de acordo com as últimas pesquisas do Ibope ou Datafolha. 

E Fortaleza até agora é a única na qual as pesquisas apontam segundo turno com presença de um militar, do espectro direitista: Capitão Wagner, do PROS. Ele já recebeu apoio do presidente Jair Bolsonaro e do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro.

A capital cearense é administrada há dois mandatos por Roberto Claudio, do PDT, partido do já declarado presidenciável Ciro Gomes. Capitão Wagner está tecnicamente empatado com o candidato pedetista, Sarto Nogueira, e segue trajetória ascendente.

Em Salvador, a candidata Major Denice Santiago (PT) tem um perfil progressista, distante da maioria dos candidatos militares apoiadores do governo federal. Ela foi guindada à condição de candidata à prefeitura pelo governador Rui Costa, após ela ter criado e coordenado a Ronda Maria da Penha, da Policia Militar (PMBA), a partir da qual ganhou notoriedade.

“O PT foi viabilizando a major pensando em um nome militar, que apresentaria uma perspectiva de centro, um nome que cuidaria da segurança pública e que trouxesse a perspectiva da mulher negra. Mas isso não foi algo muito explorado na campanha”, opina o cientista político Claudio André.

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Levantamento do Estadão, publicado no final de setembro deste ano, a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que, nesta eleição, comparado a 2016, dobrou o número de candidatos a prefeito e vice-prefeito que se declaram como policiais civis, militares e integrantes das Forças Armadas.

São 388 candidatos a prefeito este ano contra 188 da eleição passada. Além disso, são 5.968 candidatos a vereança nesta condição (TSE). As candidaturas aumentaram após a eleição do presidente Jair Bolsonaro em 2018 e a ascensão de militares a cargos de primeiro escalão do Executivo federal.

Outras candidaturas de militares nas capitais naufragaram ou não saíram do lugar, mostram as últimas sondagens do Ibope. Na maior parte das situações tiveram a função de puxar votos para candidatos à vereança. Em Belo Horizonte (MG), Cabo Xavier (PMB) aparece com 1% em uma eleição que aponta para a reeleição de Alexandre Kalil (PSD) que aparece 61% das intenções de voto. 

Em Manaus (AM), Capitão Alberto Neto (Republicanos) e Coronel Menezes (Patriota) pontuam 9% e 5% respectivamente. Lá o candidato à frente é Amazonino Mendes (Podemos), com 24%.

Em Natal (RN) dois coronéis, Helio Oliveira (PRTB) e Azevedo (PSC) têm 2%. Álvaro Dias (PSDB) segue na liderança com 44%. Na disputa em Teresina (PI), Major Diego Melo (Patriota) também conta 2%. Lá o candidato Dr. Pessoa (MDB) conta 34% seguido de Kleber Montezuma (PSDB) com 18%.

Porto Velho (RO), Recife (PE) e Vitória (ES) são as outras capitais nas quais o desempenho dos militares está sendo pífio. Na primeira, Cel. Ronaldo Flores (SD) e Sargento Eyder (PSL) pontuam 5% e 1%. Cel. Feitosa no Recife não passa dos 1%. E, na capital capixaba, Capitão Assunção (Patriota) e Cel. Nylton (Novo) pontuam 5% e 1%.

 

 

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