Militantes de Kassab e Marta se enfrentam na reta final

Clima ficou tenso quando ele desceu do carro: houve xingamentos, empurra-empurra e troca de tapas

Carolina Freitas, da Agência Estado

22 de outubro de 2008 | 15h44

Em meio ao tiroteio de acusações na reta final das eleições para prefeito de São Paulo, cabos eleitorais de  Gilberto Kassab , do DEM, e  Marta Suplicy , do PT, trocaram nesta quarta-feira, 22, agressões durante caminhada da campanha do prefeito, na Avenida Paulista. Se antes da chegada do prefeito os militantes adversários faziam campanha lado a lado e conversavam sobre amenidades, com bandeiras dos candidatos em punho, o clima ficou tenso quando Kassab desceu do carro para fazer a caminhada. Houve xingamentos, empurra-empurra e troca de tapas. A confusão começou quando um grupo de 20 correligionários de Marta tentou se aproximar do prefeito, em frente ao Parque Trianon, de onde partia uma 'marcha de cadeirantes', em apoio a Kassab.   Veja também: 'Sou solteiro e feliz', diz Kassab; Marta lamenta inserção na TV Reviravolta é difícil em SP, diz cientista política  Enquete: Quem se saiu melhor no debate?  Blog: Leia os principais momentos do debate na Rede Record  Veja galeria do debate na Rede Record  Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo  'Eu prometo' traz as promessas de Marta e Kassab  Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras  Confira o resultado eleitoral nas capitais do País   Os petistas, que gritavam palavras de ordem, foram impedidos por militantes do democrata, que formaram uma barreira, bradando o nome do prefeito. Kassab foi rapidamente levado para longe da confusão. Alguns metros atrás da comitiva do candidato, o clima esquentou com xingamentos e palavrões dos dois lados, além de empurrões e tapas. Cabos eleitorais de Kassab relataram ter sido agredidos com bandeiradas na cabeça. Os petistas preferiram não comentar as agressões. O assistente de produção cultural Henrique Hettwer, de 36 anos, que estava no flanco do PT, explicou que o grupo faz campanha há duas semanas naquele ponto, das 9 às 19 horas, e não perderia a oportunidade de se manifestar ao ver o concorrente de Marta. "São lideranças estudantis e sindicais que estão indignados com a enganação da campanha do adversário", justificou Hettwer.   "Em qualquer praça pública que ele for, a consciência exige que a gente se manifeste." Para a agente de proteção social Shirley do Espírito Santo, de 33 anos, correligionária de Kassab, a confusão foi motivada por "provocações" e "falta de respeito" dos petistas. "O pessoal (do PT) resolveu atravessar e invadir, provocar o pessoal da bandeirada", disse Shirley. "Ninguém está aqui na brincadeira e vem um moleque de 15 anos ofender minha mãe." A mãe da agente de proteção social, Shirley das Graças de Souza, de 59 anos, que também trabalha na campanha de rua do democrata, disse ter sido xingada por um jovem, militante do PT. Ao ser informado sobre a presença de militantes de Marta próximo ao evento, Kassab tentou mostrar indiferença.   "Se coincidir (o local de campanha), que haja respeito. A convivência é saudável." Polêmica no CEU Depois de funcionários da Prefeitura terem impedido na terça-feira o acesso de Marta às obras de um Centro Educacional Unificado (CEU), em Vila Formosa, na zona leste, Kassab se esforçou para despolitizar o episódio - explorado hoje (22) com destaque no programa do horário eleitoral de Marta. "É por questão de segurança. Ela tem visitado diversos equipamentos, sempre avisando com antecedência", tentou justificar Kassab.   Questionado se o motivo resumia-se à falta de aviso prévio, afirmou: "Apenas essa questão." Marta aponta atraso na construção do CEU. Kassab nega e promete entregar a escola em fevereiro. O prefeito garantiu que fará uma visita ao canteiro de obras, mas não disse quando. No debate da TV Record, no domingo (19), Kassab havia anunciado uma vistoria no local para terça-feira (21), às 11 horas. No dia marcado, no entanto, substituiu o evento por uma visita a um centro de acompanhamento de obras da Prefeitura, para uma 'vistoria virtual' do CEU. "Achei mais importante visitar o centro de acompanhamento antes para que a gente desse uma visão de todas as obras em todos os CEUs", explicou hoje.

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