Militantes da sigla vão aos atos, mas sem bandeiras

Jovens ligados ao PSOL desvinculam atuação partidária da adesão a protestos que têm causas em comum com a sigla

RIO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h12

Integrantes da Juventude do PSOL, Kenzo Soares e Tadeu Lemos, de 22 anos e estudantes da UFRJ, e a geógrafa Natalie Drumond, de 26, têm feito o possível para participar e ajudar a organizar os protestos quase diários no Rio, mas dizem que não atuam em nome do partido.

"Não levamos bandeiras. Há uma avaliação no PSOL de que é importante fortalecer os movimentos sociais. As lutas dos movimentos e do partido são parecidas, como a tarifa zero para o transporte público. A gente se desdobra para estar em todas as manifestações", diz Kenzo, estudante de Jornalismo.

Aluno de História e integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ, Tadeu também procura desvincular os protestos do partido. "Não vou com bandeira do PSOL porque sou do movimento estudantil e de outros coletivos. A gente não pode usar os movimentos sociais apenas como canal de transmissão dos partidos", afirma. "Se o PSOL olhar para as ruas só com visão eleitoral, vai fazer o que todos os partidos fazem. A maior tarefa do partido é não se preocupar tanto com eleição e ouvir as pessoas nas ruas."

Natalie faz parte do movimento Juntos!, que reúne, segundo ela, entre 2 mil e 3 mil militantes, com e sem partido, em vários Estados. "Coletivos e partidos são fóruns diferentes, embora tenham muitos pontos em comum. O Juntos! tenta se preservar como movimento autônomo", diz Natalie.

Além da ausência das bandeiras partidárias, outra característica dos protestos no Rio é a presença de grupos como o Black Bloc, que vão com os rostos cobertos às manifestações e muita vezes participam de quebra-quebras nas ruas. "O PSOL não tem posição fechada em relação ao Black Bloc, a não ser não aceitar a repressão às manifestações. Acredito que eles surgiram em reação à repressão policial. Nossa orientação é que as manifestações são pacíficas, mas não compartilhamos da lógica de criminalizar o Black Bloc", diz Kenzo.

Segundo Natalie, os grupos mais radicais não participam da organização dos protestos e costumam se encontrar apenas na hora da manifestação. "Eles não admitem que são uma organização, mas uma tática. E a repressão policial é muito mais violenta. Mas acho que essa tática pode, sim, atrapalhar, porque pode impedir que muitos persistam nas ruas." / L.N.L

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