Militante reclama da falta de material de campanha

Na zona leste, como Guaianases e Ermelino Matarazzo, antigos militantes têm saudades dos 'velhos tempos' do PT

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h05

Nos diretórios regionais do PT na zona leste, os militantes reclamam que falta material de campanha. "Temos muitas dificuldades. Recebemos material, mas em número muito menor do que os outros candidatos", diz o presidente do diretório petista em Guaianases, José Augusto dos Santos. "O que tem de cartaz da oposição aqui não é brincadeira", diz.

Nas principais avenidas de Guaianases, Cidade Tiradentes e Ermelino Matarazzo, há cavaletes de candidatos de todos os partidos, a maioria de vereadores; além de alguns de Fernando Haddad (PT) e Celso Russomanno (PRB), mas em números modestos. "E a gente só tem dez pessoas e 1 Kombi do diretório. Pra cobrir toda a área aqui não dá", diz Santos. Guaianases tem 255 mil habitantes - 94% das cidades brasileiras são menores do que o bairro.

"Eu me lembro dos bons tempos da militância: tinha faixa, banner, colagem (em postes), aquilo dava uma animação. O partido dava garrafa de café e sanduíche de mortadela pra gente levar pra todo mundo. E o povo virava a noite espalhando material do PT", lembra, saudoso, o aposentado Waldemar Diniz Bastos, de 66 anos, militante do PT há quatro décadas e filiado ao partido desde os anos 1990.

Na sexta-feira, ele jogava conversa fora com o morador Candido dos Santos, de 75 anos, no diretório petista em Ermelino Matarazzo, uma casa simples, escura, de paredes descascadas.

Tempo de festas. Estavam apenas os dois e um atendente. "Esse diretório já foi bem mais animado. A gente fazia festa nas ruas, mas aquela militância comprometida, ideológica, não existe mais. Os velhos companheiros morreram ou deixaram a militância nas mãos dessa juventude. Mas a geração da internet é muito volúvel, você não sente mais o bairro como reduto do PT como antes", diz Bastos.

Durante as duas horas que a reportagem ficou no local, apareceram apenas dois jovens se oferecendo para fazer campanha, em troca de um salário.

O diretório paga um salário mínimo por mês e vale-refeição de R$ 15 para 24 pessoas entregarem panfletos e exibirem a bandeira do PT nos faróis do bairro de 200 mil habitantes.

"Dessa vez não veio tanto material como nas outras campanhas. Do Haddad mesmo só veio folheto. Quando foi a Marta (Suplicy), tinha bandeirola para distribuir nos carros, aquela mãozinha, sabe? A arrecadação das campanhas este ano não foi boa e tenho pra mim que eles estão segurando o material para usar no segundo turno. Se o Haddad chegar no segundo turno..." / A.C.

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