Mídia brasileira 'se alinha à direita', avalia ministro

No discurso, Barbosa aponta no País 'falta de diversidade política e ideológica' e ausência de negros em redações

SAN JOSÉ, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2013 | 02h06

No evento que marcou os 20 anos do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em San José (Costa Rica), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, afirmou que os três maiores jornais brasileiros têm opiniões "mais ou menos à direita" e criticou a falta de pluralismo.

"Agora o Brasil só tem três jornais nacionais, todos mais ou menos se alinham à direita no campo das ideias", disse. "Falta (na imprensa) um pluralismo forte."

Barbosa deixou claro que era opinião pessoal, de um "cidadão político, livre e consciente", e que não falava como chefe do Supremo. O ministro não mencionou o nome dos jornais. Mas em outros momentos, reservadamente, havia expressado essa opinião em relação aos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e O Globo.

Na mesma fala, o ministro reclamou da falta da presença de negros trabalhando nas redações de jornais e televisões do País. No discurso, feito em inglês, criticou a falta de "diversidade política e ideológica", o que ele considerou uma desvantagem da mídia nacional.

"Como muitos aqui devem saber, no Brasil, negros e mulatos compõem 50% a 51% do total da população, de acordo com o último censo de 2010", afirmou. E prosseguiu: "Mas não brancos são muito raros nas redações, nas telas da televisão, sem mencionar a ausência nas posições de controle ou liderança nas empresas de mídia".

'Democracia perfeita'. Apesar das críticas à mídia, Barbosa afirmou não acreditar em "democracias perfeitas" e disse que não podia negar os "formidáveis ganhos" na liberdade de imprensa e de expressão após a redemocratização e a Constituição de 1988. O ministro, que criticou publicamente jornalistas ao longo e depois do julgamento do mensalão, disse que todo "agente público numa sociedade democrática" deve viver sob a supervisão da imprensa.

Segundo o ministro, "a liberdade de imprensa é e deve sempre ser um direito fundamental de qualquer sociedade democrática". Ele lamentou o fato de jornalistas brasileiros ainda serem vítimas de violência. / F.R.

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