'Meu pai já foi condenado, destruíram a imagem dele'

A reclusão adotada pelo ex-ministro José Dirceu desde a aproximação do julgamento do mensalão tem sido reproduzida por sua família e amigos mais próximos para evitar qualquer declaração sobre o escândalo. Mas seu filho mais velho, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), rompeu o silêncio e falou sobre como o réu e sua família estão vivendo esses "sete anos de pancadaria", desde que Dirceu deixou a Casa Civil.

Entrevista com

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h07

Como seu pai está enfrentando o julgamento do mensalão?

São sete anos de pancadaria, né? Meu pai está sendo massacrado. Nada do que acontecer daqui para frente pode ser pior, nem para ele, nem para nós, do que tudo o que passamos nesses sete anos. É tão difícil falar sobre isso, por isso nunca falo. Vou dizer o quê? Ele é meu pai e eu amo o meu pai.

E vocês, filhos, como reagem ao ver seu pai sendo julgado como mentor do mensalão?

Eu ainda estou mais acostumado com o jogo político, vivo na política há muitos anos, sou jovem, tenho 34 anos, mas tenho uma trajetória considerável, já fui prefeito de Cruzeiro do Oeste (Paraná) por duas vezes. Mas para as minhas duas irmãs, que não são dessa área, está sendo ainda mais difícil de lidar com esta situação. Elas são novas, uma delas tem 22, a outra tem 24 anos, imagine como fica a cabeça delas?

O senhor disse que nada pode ser pior do que o que já passaram. Nem se ele for condenado?

Mas ele já foi condenado. Destruíram a imagem dele, que tanto tempo ele levou para construir. O que pode ser pior que isso? É um massacre, inclusive por parte da mídia. É claro que estamos todos confiantes no resultado do julgamento do Supremo. Mas ele vive como condenado. E a família sofre junto, eu, minhas irmãs, minha avó de 92 anos, que é a mãe dele.

Sua avó acompanha o noticiário sobre o assunto?

Ah, ela não entende exatamente o que está acontecendo, mas ela lê, assiste aos jornais na TV. É muito difícil para ela. Traçando um paralelo, a minha avó foi criada na Igreja Católica, ela nunca entendeu essa coisa de guerrilha, da qual meu pai participava. Passados dez, 20 anos, hoje ter sido engajado nas lutas de guerrilha é até motivo de orgulho nacional. Essas acusações de agora, daqui a um tempo, vão pesar. Não sei qual será o peso, mas haverá.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.