Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

'Meu neto é um cara bonito, viu ali? Branqueamento da raça', diz Mourão

Candidato a vice de Bolsonaro já havia causado polêmica ao vincular o negro à malandragem e o índio à indolência

Breno Pires, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 19h47

BRASÍLIA –O general Hamilton Mourão, candidato à vice-presidência na chapa encabeçada por Jair Bolsonaro (PSL), apontou para um adolescente que o esperava no Aeroporto Internacional de Brasília no início da noite deste sábado e fez um comentário. "Meu neto é um cara bonito, viu ali? Branqueamento da raça”, disse, depois de uma rápida entrevista, em seguida a desembarcar na capital federal para votar nas eleições neste domingo.

O neto, que estava ao lado do pai aguardando Mourão, de fato, tem a pele branca. O general, por sua vez, se autodeclarou indígena ao registrar sua candidatura à Justiça Eleitoral.

O comentário foi feito de forma espontânea, após o candidato opinar sobre as eleições neste domingo, afirmar que faltou um debate mais aprofundado sobre o futuro do país no primeiro turno, dizer que um segundo turno “seria bom” para melhor discutir as propostas. O general disse também que está “apostando em uma vitória no primeiro turno”. Mourão chegou a Brasília por volta das 18h40 neste sábado, 6, vindo do Rio de Janeiro, para votar no domingo, 7, na escola da Vila Militar, às 9h.

Em declaração que gerou polêmica, em agosto, em um evento em Caxias do Sul-RS, Mourão havia dito que o Brasil "herdou a cultura de privilégios dos ibéricos, a indolência dos indígenas e a malandragem dos africanos". Depois, ao comentar essa declaração, negou que seu comentário tenha sido racista. “Quiseram colocar que o Bolsonaro é racista, agora querem colocar em mim. Não sou racista, muito pelo contrário. Tenho orgulho da nossa raça brasileira”, afirmou em agosto.  Em setembro, o candidato disse que não acredita na existência de preconceito no país. durante uma entrevista à Ràdio Jovem Pan.

Mourão critica falta de propostas no primeiro turno

O primeiro turno, na opinião de Mourão, foi “fraquíssimo, porque se atacou pessoalmente os candidatos, e não discutimos qual é a sua ideia, o que vamos fazer”, disse. Questionado se um segundo turno seria positivo para aprofundar a discussão, afirmou que sim.

“Seria bom, porque seria explicitado realmente, parar de se atirar abaixo da linha da cintura e falar o que é verdade, o que interessa”, disse o general.

Mourão apontou que não foram discutidas as reformas e como elas deverão ser feitas. “Muita gente fala de PPP. (Mas) Como vai fazer isso, como vai atrair o parceiro privado? Alguém falou de politica externa?”, questionou.

Entre a avaliação de que Haddad pode ser mais fácil de derrotar no segundo turno, e a de que “Ciro Gomes está parado no tempo”, Mourão disse que a chapa pode vencer qualquer um dos dois num eventual segundo turno. “Eu sou do exército, sabe disso. E na Infantaria, uma das nossas áreas, tem um ditado que diz: o que vier nós traça”.

“Existe uma onda verde e amarela q se agigantou nos últimos dias”, disse, destacando que o candidato a presidente, Jair Bolsonaro, recebeu apoio de frentes parlamentares evangélica e do agronegócio. “Bala, boi e bíblia embarcaram no Bolsonaro”, disse Mourão, falando em “quatro Bs”. “O quinto ‘B’ é o Brasil”, arrematou o general.

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