Metrô diz que proposta de Marta é totalmente incompatível

Empresa divulgou análise técnica das propostas em seu site; nenhum outro candidato teve propostas analisadas

Redação,

19 de setembro de 2008 | 22h46

O Metrô de São Paulo publicou em seu site na noite desta sexta-feira, 19, uma análise técnica da proposta da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, para a rede metroviária. Não há análise para propostas de nenhum outro candidato à Prefeitura. Segundo o texto, a proposta de Marta Suplicy "é totalmente incompatível com os fundamentos técnicos que orientem o planejamento do transporte público metropolitano. As novas linhas que a candidata imagina fazer sobrepõem-se a linhas que já estão sendo construídas ou são inadequadas e ocasionariam distúrbios na operação do Metrô".  A análise critica ainda valores, prazos e fontes de financiamento apresentados: "não fecham, são contraditórios e irreais". Em mais de um ponto, o texto diz que "o projeto não faz sentido". Em outro momento, o texto fala em "equívoco". Ainda segundo a análise, "a candidata demonstra total desconhecimento do Plano de Expansão". Veja também:Para promessa de metrô, Marta precisa de 2 PACsDilma anuncia verba para metrô em programa eleitoral de Marta Leia o texto na íntegra:  ANÁLISE TÉCNICA DA PROPOSTA DA CANDIDATA MARTA SUPLICY PARA A REDE METROVIÁRIA DE SÃO PAULO  A proposta da candidata Marta Suplicy para o transporte metroviário da cidade de São Paulo é totalmente incompatível com os fundamentos técnicos que orientam o planejamento do transporte público metropolitano. As novas linhas que a candidata imagina fazer sobrepõem-se a linhas que já estão sendo construídas ou são inadequadas e ocasionariam distúrbios na operação do Metrô.  A proposta ignora itens básicos que determinam a construção de linhas de metrô em todo o mundo, como interconexões com outras linhas, demanda de passageiros e origem e destino preferencial das pessoas. Um projeto de ampliação do Metrô de São Paulo não pode se resumir, como quer a candidata, a acréscimos de segmentos às linhas atuais, definidos sem o necessário suporte técnico.  Outra inconsistência da proposta é o seu financiamento*. Valores, prazos e fontes de financiamento apresentados não fecham, são contraditórios e irreais. De concreto, a candidata propõe que a Prefeitura invista R$ 490 milhões por ano, o que significa, para um mandato de 4 anos, R$ 1,9 bilhão, o que representa 10% do investimento que está sendo feito pelo Governo do Estado, através do Plano de Expansão.  Para apresentar um projeto de ampliação das atuais linhas do Metrô é necessário, de antemão, conhecer o que já está sendo executado pelo Plano de Expansão do Transporte Metropolitano do Governo do Estado, iniciado em 2007, no valor de R$ 19 bilhões, o maior investimento já feito no setor. O Plano de Expansão foi concebido de forma a tornar o sistema, como um todo, mais eficiente, quadruplicando a extensão - dos atuais 61,3 km para 240 km - de linhas com qualidade de metrô, aumentando, até 2010, em 55% o número de passageiros transportados sobre trilhos e reduzindo em 25% o tempo de viagem.  *Em alguns documentos, a candidata propõe investir R$ 11,8 bilhões e, de maneira confusa, apresenta dois prazos para isso: de 2009 a 2012 e de 2009 a 2014. Por ano, ela declara que irá investir R$ 1,9 bilhão. As fontes citadas desse investimento são: Prefeitura R$ 490 milhões Governo Federal R$ 490 milhões Governo do Estado R$ 980 milhões. Para o Governo do Estado realizar esse aporte, precisaria retirar praticamente R$ 1 bilhão anual do Plano de Expansão, o que é inaceitável, pois implicaria paralisar obras que já estão sendo executadas para investir em um projeto que não faz sentido.  O Plano de Expansão está fundamentado em estudos feitos, ao longo de anos, para uma rede metroferroviária que se expande, de maneira coerente, até 2025, capaz de assegurar atendimento à demanda de forma equilibrada. Além disso, preserva as funções de cada meio de transporte, seja ônibus, trem metropolitano ou metrô, de forma a evitar a sobreposição de atendimento, procurando utilizar, de maneira racional, os recursos públicos.  Trechos propostos pela candidata, que conflitam com o Plano de Expansão ou que já estão sendo executados: (As obras a seguir relacionadas estão sendo feitas com recursos do Governo do Estado de São Paulo, com exceção das obras do trecho da Linha 5-Lilás e da Linha 6-Laranja, para as quais o Metrô conta, pela primeira vez em 30 anos, com recursos da Prefeitura Municipal).  Proposta da candidata: Linha 4-Amarela até Vila Maria  Trata-se de um equívoco, uma vez que o atendimento à população da região de Vila Maria será feito por linha específica, a Linha 15-Vila Maria-Campo Belo, que passará pelo centro da cidade e pela av. Brigadeiro Luiz Antônio. A definição desse itinerário levou em conta a demanda preferencial da região de Vila Maria, levantada pela pesquisa Origem e Destino.  Proposta da candidata: Linha 5-Lilás até Santa Cruz  A candidata propõe uma obra que já está iniciada e tem recursos alocados pelo Governo do Estado e que, acima disso, irá além de Santa Cruz. Além disso, a mera extensão da Linha 5-Lilás até Santa Cruz acarretaria graves problemas de superlotação na estação e em toda a linha.  A rede proposta não leva em consideração outros projetos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, como o do Metrô Leve, que irá atender o Aeroporto de Congonhas e deverá estar pronto em 2010, ou o do Trem de Guarulhos, que também entrará em operação em 2010, e o do Expresso Aeroporto que deverá estar pronto a partir de 2011.  A primeira fase do Metrô Leve liga o aeroporto de Congonhas à estação São Judas, na Linha 1-Azul. Sua extensão, numa segunda etapa, se dará ao longo da av. Jornalista Roberto Marinho, com integração na Linha 5-Lilás, seguindo até a região da av. Luiz Carlos Berrini, onde se conecta com a Linha 9-Esmeralda da CPTM.  Proposta da candidata: Linha 3 até Freguesia do Ó  A extensão da Linha 3-Vermelha revela desconhecimento dos procedimentos operacionais na atual rede metroviária, pois propõe algo que pode sobrecarregar ainda mais essa linha. Para atender à região da Freguesia do Ó e Cachoeirinha, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos está preparando a contratação do projeto de engenharia da Linha 6-Laranja, que ligará a Freguesia do Ó à estação São Joaquim, na Linha 1-Azul, cujo início das obras está previsto para 2010.  Proposta da candidata: Linha 2 até Cerro-Corá e Sapopemba  Novamente, a candidata demonstra total desconhecimento do Plano de Expansão, uma vez que a Linha 2 até Cerro-Corá já está no programa de expansão do Metrô. A região de Sapopemba será atendida pelo ramal Vila Prudente-Oratório, que se integra à Linha 2-Verde, cujo projeto executivo deverá ser elaborado em 2009.  Proposta da candidata: Linha 6, de Cachoeirinha a Conceição Com o traçado proposto pela candidata para chegar ao centro da cidade (destino da maioria dos passageiros da região, conforme levantado pela pesquisa Origem e Destino), a população da Vila Nova Cachoeirinha teria de fazer viagem negativa passando por Pinheiros. Para atender à população da região, a Linha 6-Laranja contará com a estação João Paulo, na Vila Nova Cachoeirinha. Pinheiros e região serão atendidos pela linha 4-Amarela (Luz-Vila Sônia), que está em construção e terá a primeira fase operando entre Luz e Butantã em 2010.  Proposta da candidata: Linha 7, de Vila Maria a Vila Prudente  Essa linha não faz sentido, uma vez que a ligação Vila Maria-Vila Prudente será atendida pela Linha 15 (Vila Maria-Campo Belo), com integração na Linha 2, que está sendo ampliada até a Vila Prudente e, posteriormente, será estendida até a avenida Tiquatira, na Penha, passando pelos bairros de Água Rasa e Vila Formosa. De Alto do Ipiranga até Vila Prudente, as obras seguem rapidamente. A extensão até a Avenida Tiquatira, onde haverá a conexão com a CPTM, encontra-se com o projeto funcional em fase de conclusão e os estudos geotécnicos para a elaboração do projeto básico em fase de contratação.

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