Metade das capitais do País ainda não adotou redução

Apesar dos protestos e de benefícios federais, algumas optaram só por 'congelar' novos reajustes

José Maria Tomazela, Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2013 | 02h06

Na terceira semana de manifestações pelo Brasil, 12 capitais de Estado, mais o Distrito Federal, ainda não reduziram as tarifas do transporte público urbano, apesar de protestos e benefícios federais. Em pelo menos três, Salvador (BA), São Luís (MA) e Belém (PA), houve confrontos. Em Salvador, capital baiana, a redução de tarifa "não está no debate", afirmou o prefeito ACM Neto (DEM). O preço da passagem na cidade subiu há um ano, de R$ 2,50 para R$ 2,80, e a manutenção desse valor integrava o plano do atual prefeito, assim como uma nova licitação do sistema de transporte público, programada para este ano. "Agora, estamos concluindo o estudo de readequação do sistema", ressaltou.

Em Maceió, capital de Alagoas, os manifestantes lutam para que a tarifa, de R$ 2,30, seja mantida sem aumentos. As empresas de ônibus querem reajuste para R$ 2,85. Por causa dos protestos, o prefeito, Rui Palmeira (PSDB), e o governador do Estado, Teotônio Vilela Filho (PSDB), anunciaram redução de ICMS do combustível e do IPVA para empresas - para compensar um congelamento.

Interior paulista. Algumas das principais cidades do interior paulista também resistem a diminuir as tarifas. Em Ribeirão Preto, onde se registrou a primeira morte desde o início das passeatas, o aumento de 11,53% dado em janeiro continua em vigor - lá, os protestos reuniram mais de 25 mil pessoas. O Ministério Público cobra da Transerp, empresa que gerencia o transporte, explicações sobre a planilha. Em janeiro, o passe comum subiu de R$ 2,60 para R$ 2,90. O promotor Sebastião Sérgio da Silveira reúne-se com representantes da empresa pública nesta segunda-feira e, se não houver acordo, pode entrar com ação civil pública pedindo redução para R$ 2,75.

Já a prefeitura de Santos resiste à redução pedida nas ruas por mais de 20 mil manifestantes. O último reajuste, em janeiro, elevou de R$ 2,65 para R$ 2,90 a tarifa básica. O prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) informou que a empresa permissionária até pediu novo reajuste, que não será dado. Em Piracicaba, o prefeito Gabriel Ferrado (PSDB) ainda não anunciou redução na tarifa, aumentada de R$ 2,60 para R$ 3 em dezembro de 2012. O Movimento Pula Catraca quer a redução de R$ 0,40 no valor. Na quinta-feira, 12 mil pessoas foram às ruas.

São José do Rio Preto também não vai alterar a tarifa, de R$ 2, uma das menores do interior. Na terça, 4 mil pessoas foram às ruas para protestar. Em Franca, o Ministério Público investiga o contrato da empresa de ônibus com a prefeitura por falta de ônibus e superlotação. A passagem custa R$ 2,80, mas a empresa que opera o transporte já pediu reajuste para R$ 3,30. Por fim, em Botucatu a prefeitura resistiu a três protestos e não baixou a tarifa de ônibus, aumentada em janeiro de R$ 2,35 para R$ 2,65. /COLABORARAM TIAGO DÉCIMO e RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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