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Mesmo combalida, Delta quer contratos

Apesar do risco de ser declarada inidônea, empreiteira participa de licitações de três grandes obras do Dnit que somam R$ 904 milhões

FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2012 | 03h08

Apesar do risco de ser banida da lista de fornecedores da União, a Delta está de olho em contratos de vulto no governo federal. Só no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão no qual concentra atividades, a empreiteira participa de licitações para executar três grandes obras e serviços, cujos investimentos previstos somam R$ 904 milhões.

Se prosperar nas disputas, a Delta aumentará em quase 40% o valor de seus contratos ativos no Dnit, que alcançam R$ 2,3 bilhões. A Controladoria-Geral da União (CGU), que toca a investigação para apurar a inidoneidade, diz que, até uma decisão, não há restrições para que a construtora participe de licitações. Contudo, as parcerias podem ser canceladas após uma eventual decisão desfavorável a ela. Na semana que vem, a empresa deve apresentar sua defesa ao órgão.

A Delta quer construir e operar parte do sistema de pesagem das rodovias federais pelos próximos cinco anos. Lançada pelo Dnit no ano passado, a concorrência para o serviço foi dividida em 14 lotes, com valor estimado de R$ 1,1 bilhão. A empresa está no páreo em 6 e pode, se vencer, ser a responsável pelo serviço em 15 estados, ao custo de R$ 466,6 milhões.

Lançada em maio de 2011, a concorrência foi suspensa dois meses depois, por ordem da presidente Dilma Rousseff, por causa das suspeitas de corrupção no Ministério dos Transportes. Retomada em novembro, prossegue sem tramitação, pois, segundo o Dnit, técnicos estão fazendo uma reavaliação. O órgão informa, contudo, que o trabalho está em fase final.

Duplicação. A Delta também disputa 3 dos 9 lotes das obras de melhoria de capacidade, incluindo duplicação de trechos, da BR-116, no Rio Grande do Sul. Trata-se de um megaempreendimento de R$ 968,7 milhões. Ali, a empreiteira pode ganhar serviços de R$ 367 milhões.

Iniciada em 2010, a disputa foi suspensa pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que analisou impropriedades na concorrência. Segundo o Dnit, a retomada já foi autorizada e deve ser publicada, nos próximos dias, no Diário Oficial da União. A Delta foi desclassificada no julgamento de propostas, conforme documento publicado no site da autarquia, mas, a depender de eventuais recursos administrativos ou judiciais, pode voltar ao páreo.

Em Santa Catarina, a construtora pretende também executar obra de construção de ponte sobre o Canal das Laranjeiras, na BR-101, além de restaurar e duplicar os acessos a ela. O lote que disputa está orçado em R$ 71 milhões. A concorrência, ainda em fase de recurso ao julgamento de propostas, no qual uma concorrente da Delta foi melhor classificada, não foi homologada.

Procurada pelo Estado, a J&F, nova controladora da empresa, informou que iniciou um processo de auditoria na empreiteira e que não comentará sobre licitações da gestão anterior. "A holding reitera que irá se esforçar para manter os 30 mil empregos da construtora", acrescentou.

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