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Mercadante ajudará na articulação política depois de 'vexame'

Ministro da Educação vai ajudar Gleisi e Ideli; presidente da Câmara faz críticas à relação do governo com Congresso

VERA ROSA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2013 | 02h06

A presidente Dilma Rousseff decidiu criar um novo eixo de articulação política que inclui o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O petista já vinha atuando como conselheiro da presidente e agora será mais atuante no diálogo com o Congresso, fortalecendo a articulação formalmente ocupada pelas ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Mercadante foi líder do governo no Senado na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com problemas de rebeldia em sua própria base aliada, Dilma avalia que Ideli precisa de ajuda para evitar outro "vexame", conforme definição do presidente da Câmara e aliado do governo, Henrique Alves (PMDB-RN).

Alves esteve ontem no Palácio do Planalto. Conversou com Gleisi e com Ideli e avisou que o governo precisa mudar o jeito de se relacionar com o Congresso, se não quiser ter mais surpresas como ocorreu anteontem com a medida provisória que reduzi a tarifa de energia elétrica. Antes, já havia feito comentário igual em reunião com o vice-presidente Michel Temer e o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), no Palácio do Jaburu.

"Não estou aqui para tapar o sol com a peneira", disse Alves. "Temos que enxergar a realidade: precisamos entender por que, de 420 deputados da base, o governo não consegue colocar 257 em uma sessão importante, decisiva, numa segunda-feira à noite. O governo tem que buscar razões, tirar disso lições, para nas próximas não passar por isso. Foi um vexame", completou.

Na conversa com Gleisi e Ideli, o deputado afirmou que nem o PT nem os outros partidos da base de apoio conseguem firmar acordos com o governo porque há um "vácuo" na articulação política. "Não adianta dizer que está tudo bem porque algo não está bem. É preciso encarar isso com objetividade, para que a base possa corresponder ao seu governo", insistiu o presidente da Câmara. Alves definiu Dilma como "respeitosa" com o Congresso, mas pediu mais diálogo com os líderes aliados. "A Câmara não foi feita para enrolar, empurrar com a barriga. Foi feita para votar e decidir e disso não abro mão."

As queixas deram o tom de muitas reuniões no Planalto, no Jaburu e na casa de líderes do PT e do PMDB, nos últimos dois dias. Gleisi é provável candidata do PT ao governo do Paraná e, desde a votação dos royalties do pré-sal, tem sido incumbida por Dilma de fazer esclarecimentos públicos e pontuais sobre polêmicas políticas. Ontem, ela anunciou a decisão de Dilma de assinar decreto para garantir a antecipação de recursos que garantirão o pagamento da diferença de tarifas de energia elétrica. Na terça-feira, explicou que o corte na conta de luz não corria risco, mesmo com o Senado barrando a votação da medida provisória sobre o tema.

Cotado para comandar a campanha de Dilma à reeleição em 2014, Mercadante já tem carta branca para fazer acordos partidários e, por determinação da presidente, vai se dedicar mais à tarefa, a partir de agora. É provável que o ministro da Educação assuma a Casa Civil quando Gleisi deixar o cargo, no ano que vem, para se candidatar ao governo do Paraná. Na prática, haverá um triunvirato na coordenação política, com Ideli cuidando mais do "varejo" e de despachos rotineiros com deputados e senadores, como liberação de pagamentos de emendas.

Para o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), o Planalto precisa de uma "sintonia fina" na equipe. "Há um déficit de política no governo. A relação do Planalto com o PT e com o Congresso está distante e, mesmo as relações mais amorosas, não sobrevivem à distância."

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