Mello reafirma que ex-ministro era o chefe do esquema

Autor de um dos votos mais duros contra os réus do mensalão, o decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, afirmou que o ex-ministro José Dirceu foi incapaz de exercer a política com honestidade, integridade e em prol do interesse público. Ao contrário, valeu-se da política para cometer crimes e, com isso, obter vantagens indevidas e controlar indevidamente o Estado brasileiro.

O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2013 | 02h11

No julgamento de ontem, ao rejeitar integralmente o recurso, Celso de Mello usou seu voto para novamente apontar Dirceu como chefe do esquema de compra de votos no Congresso. "Este processo deixou plenamente configurada a posição eminente deste condenado na estrutura de poder, numa estrutura de poder que na verdade concebeu, idealizou, comandou, fez executar ou praticou ações criminosas voltadas à permanência de determinado grupo no poder, de uma estrutura criminosa voltada à manipulação fraudulenta das instituições, notadamente do Congresso Nacional", disse o ministro.

A pena imposta a Dirceu, 10 anos e 10 meses de prisão, na opinião do ministro, foi baixa e o tribunal teria sido benevolente com ele. O ministro afirmou que, se o tribunal mantivesse sua jurisprudência, as penas para cada um dos atos de corrupção deveriam ser somadas separadamente. Isso multiplicaria a pena imposta pela Corte. O tribunal decidiu, inclusive com o voto de Mello, juntar os crimes, definir uma pena e aumentá-la em razão das várias ocorrências. Ao final, Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses pelos crimes de corrupção ativa e a 2 anos e 11 meses por formação de quadrilha.

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