Meirelles vota em petista e defende ação BC contra crise

Ex-tucano, presidente do BC disse que Brasil tem condições de enfrentar turbulência graças às reservas

Sônia Filgueiras, de O Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2008 | 15h32

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,votou neste domingo em Anápolis, no interior de Goiás e declarou apoio ao candidato petista, Antonio Gomide. Antes de assumir cargo no governo, o presidente do BC era filiado ao PSDB.  Após votar, Meirelles falou sobre a crise financeira mundial. Segundo ele, o trabalho do BC contra os sinais de recessão que se espalham pelos países mais ricos tem como meta manter a economia brasileira funcionando sem sofrer os efeitos exagerados (da crise) no exterior. Ele festejou o acúmulo de reservas que o País fez ao longo dos últimos anos, mesmo sendo criticado por alguns economistas." O Brasil está hoje em condições muitos melhores para enfrentar a turbulência internacional", disse."Isso mostra o acerto da nossa acumulação de reservas cambiais no passado, o acerto da nossa acumulação de posições no mercado futuro de câmbio, o que foi tão criticado, e que hoje passa a ser tão vital". Meirelles lembrou também dos elevados depósitos compulsórios das instituições financeiras em reais, o que deixou os bancos brasileiros menos vulneráveis à crise, e fez uma espécie de desabafo. "Portanto, isso mostra que o trabalho valeu a pena". O Brasil está usando uma porcentagem mínima das reservas cambiais, que atingiram US$ 200 bilhões, para, por meio de leilões, enfrentar a rápida valorização do dólar. MP 443Sobre a Medida Provisória 443, que deu ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal (CEF) poderes para comprarem posições acionárias nos mercados financeiros até o limite da estatização, Meirelles disse que não compete ao BC participar do diálogo político para aprovar a MP. "Existe um ministro encarregado (desse diálogo) que está em andamento. Estamos disponíveis para prestar esclarecimentos sobre essa medida e todas as medidas já tomadas", afirmou. Na avaliação de Meirelles, as decisões tomadas pelo governo brasileiro têm sido aprovadas, dentro e fora do País. Para ele, algumas são preventivas e não são facilmente entendidas no momento em que são anunciadas. O importante, acrescentou, é que o BC mandou uma mensagem à sociedade brasileira. "Estamos tomando medidas necessárias, fazendo com que, se for necessário, essa medidas possam ser usadas. É a tranqüilidade de que as medidas estão disponíveis", explicou. Na viagem a Miami, sexta-feira, onde recebeu o prêmio Financista do Ano, da revista Latin Trade, Meirelles disse que consolidou a percepção de que há um processo de desalavancagem mundial de todos os países, com restrições de liquidez internacional, particularmente em dólar.

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