Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sem garantias de candidatura, Meirelles se filia ao MDB

Ministro fez criticas ao PT e se mostrou disposto a defender o legado de Michel Temer

Carla Araújo, Adriana Fernandes e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2018 | 12h38

BRASÍLIA - Mesmo sem a garantia de que será o candidato à presidência pelo MDB, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, assinou sua filiação no partido e disse que deve permanecer no cargo até a próxima sexta-feira, já que no dia 7 os candidatos precisam descompatibilizar dos cargos para fazer campanha.

Em um evento na sede do MDB, em Brasília, com a presença do presidente Michel Temer e de caciques do partido, Meirelles mostrou que está disposto a defender o “legado” de Temer, ressaltou que o partido vai realizar pesquisas para ver a viabilidade da candidatura e que a definição acontecerá mais pra frente. 

Auxiliares do presidente Temer destacam que o evento de hoje é importante para marcar que o MDB tem uma candidatura. Na avaliação de interlocutores marcar esse território neste momento é mais importante do que o candidato em si. 

Na cerimônia, o MDB fez questão de reforçar a união entre Temer e Meirelles. "M de Michel, M de Meirelles, M de MDB", diz o refrão do jingle preparado pelo partido e divulgado nesta terça-feira. Já o slogan, estampado em um grande banner instalado no local da filiação, traz a frase "Nossa União nos Fortalece", acompanhada de uma foto de Meirelles e de Temer.

Ao discursar no evento, Temer - que mesmo com baixa popularidade tenta se viabilizar para disputar à reeleição - disse que Meirelles “está habilitado para ocupar qualquer cargo no País”. “Não tenho a menor dúvida disso", afirmou. Caso Temer concorra, o MDB quer que o ministro seja candidato à vice.

O presidente disse ainda ter "absoluta convicção" de que a chegada de Meirelles é "muito útil ao MDB". "Por isso, Meirelles, acho que você fez uma coisa boa para o País e uma coisa ótima para o MDB", declarou Temer. O presidente afirmou que, ao se filiar ao MDB, Meirelles ajudará o MDB a "prosseguir" no governo, não deixando o País "desviar-se" da rota de crescimento.

Meirelles evitou falar se que a Operação Skala, que chegou a prender pessoas próximas a Temer, seria um ponto a seu favor para ser o cabeça de chapa no lugar do presidente, Meirelles afirmou que "isso não está sendo objeto de discussão neste momento". "Na medida em que a definição dos candidatos de partido vai ocorrer na convenção, no mês de agosto, quando estiver se aproximando teremos essa definição", disse Meirelles.

O ministro disse ainda que deixará a pasta "até sexta-feira", mesmo sem a garantia de que será o candidato à Presidência pelo partido. "Estamos, no momento, entrando no partido e coloco meu nome à disposição do partido para discutirmos os próximos passos", disse, em coletiva de imprensa após o evento.

Meirelles decidiu mudar de legenda após não conseguir apoio para uma candidatura ao Palácio do Planalto de seu antigo partido, o PSD, que deve apoiar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, presidenciável pelo PSDB.

Sobre sua saída da Fazenda, mesmo sem garantia, Meirelles disse inicialmente que essa seria uma decisão a ser tomada nos "próximos dois dias", mas depois, diante a insistência dos repórteres, admitiu: "devo ficar até a sexta-feira, essa é a data definida". 

Tentando se esquivar de respostas mais assertivas sobre a candidatura do MDB, Meirelles disse que o importante é que "se reconheça o que aconteceu no País, na economia" e afirmou que esse legado tem que ser defendido. Na avaliação do ministro, ainda é um pouco cedo dentro do processo eleitoral para que a população reconheça o crescimento dessa "sensação de bem-estar". "É muito importante que aguardemos para que aconteça o inevitável, que o crescimento econômico e da renda aumente cada vez mais a sensação de bem-estar da sociedade e isso vai se refletir nos índices (eleitorais)", avaliou.

Meirelles disse que sua meta é "poder contribuir com o País". "O importante é isso: o meu compromisso de fato de servir ao País. Já o fiz em outras posições", destacou lembrando, por exemplo, sua passagem pelo Banco Central. Meirelles foi presidente da autoridade monetária durante todo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante seu discurso no ato de filiação, o ministro, inclusive, usou uma frase que era bastante utilizada pelo ex-presidente petista de que o país só seria justo "quando o filho do operário tiver as mesmas oportunidades de um filho de um médico". "E igualdade de oportunidades não é uma bandeira da esquerda ou da direita", alfinetou. 

Meirelles disse ainda que Temer assumiu “com um desafio gigante, impossível diziam alguns. A economia estava em frangalhos". Mesmo sem citar o PT, afirmou que a crise gerada veio "de erros praticados no passado". "O governo anterior deixou um rastro de desemprego e inflação", disse, ressaltando que esses problemas "são os filhos legítimos" do governo anterior.

Meirelles fez elogios à atuação do presidente Temer e também ressaltou que ele deu liberdade para que a equipe econômica trabalhasse. "Nossa equipe econômica foi chamada de 'dream team'", disse Meirelles.

Substituto. Na saída do evento, Temer evitou confirmar publicamente o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, como substituto de Henrique Meirelles no comando da Pasta. “Perguntem ao Meirelles”, respondeu Temer à imprensa sobre se Guardia assumiria o posto. 

Donas de casa. Mesmo com uma crítica constante de que o governo Temer não possui espaço para mulheres, na cerimônia, Meirelles contou que, ao ser convidado pelo presidente Michel Temer para assumir o cargo, recebeu o pedido de trabalhar para baixar a inflação para "ajudar as donas de casa". "Quando o presidente Temer me convidou virou-se para mim e disse: não dá para donas de casa continuarem sofrendo desse jeito com inflação", disse, acrescentando que Temer teria destacado que a inflação "tira comida do prato" e se o governo conseguisse diminuir a inflação ele já estaria satisfeito.

Meirelles disse ainda que a missão "parecia impossível" e que "qualquer pai de família" sabe que tem que tomar "decisões difíceis" em momentos de crise. 

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