Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Meirelles fala em simplificação tributária em evento com líderes do agronegócio

Candidato ainda prometeu regulamentar as 'fintechs' para aumentar a oferta de instituições financeiras no País

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2018 | 13h06

BRASÍLIA - O candidato do MDB à Presidência da República nas eleições 2018 e ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, falou sobre a simplificação tributária, com a redução do número de impostos e criticou o excesso de burocracia no País. “As empresas brasileiras gastam em média 2.600 horas por ano para pagar impostos”, afirmou o candidato durante o encontro de presidenciáveis promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, nesta quarta-feira.

O candidato voltou a dizer que a reforma da Previdência é uma das suas prioridades para reduzir o déficit fiscal do País. Sobre o agronegócio, o candidato afirmou que o setor tem “representado o que temos de excelência na economia brasileira”. “Mesmo em momento em que o País vai mal, o setor agrícola vai bem”, disse. 

Em relação ao crédito rural, o candidato afirmou que deve priorizar a redução da taxa de juros, como já vem acontecendo, e que esta medida pode viabilizar a expansão do crédito rural. Além disso, Meirelles afirmou que quer regulamentar as chamadas Fintechs. “Temos de aumentar a oferta de instituições financeiras”, afirmou.

Ainda sobre as demandas do setor, o candidato afirmou que, em relação ao mercado externo, deve ter pela frente uma dura negociação com a União Europeia. Nos últimos anos, o bloco europeu impôs restrições comerciais a alguns importantes produtos agrícolas da pauta comercial como o Brasil, como é o caso da carne de frango.

Ele comentou ainda sobre a importância da China para as exportações brasileiras e afirmou que é preciso criar todas as condições para que o Brasil ganhe cada vez mais espaço. Meirelles citou que é necessário promover produtos de valor agregado.  Ele também falou que não deve haver imposto sobre as exportações.

O ex-ministro falou sobre a importância da atração de investimento estrangeiro para o País e criticou adversários que falam sobre a retomada de áreas do pré-sal. “É uma atitude que faz o investidor estrangeiro ficar com o pé atrás”, disse.

O candidato foi questionado sobre a defesa agropecuária do País, nas fronteiras secas que faz com os demais países da América do Sul. Para Meirelles, a defesa deve ser feita com alta tecnologia, com o monitoramento via satélite das fronteiras, intervenção rápida do governo em casos de crises e missões diplomáticas com os países vizinhos. “Temos de integrar áreas do governo, desde o Ministério da Agricultura até a Fazenda e a Polícia Federal”, disse.

Questionado sobre quase nunca citar o nome de Michel Temer em sua campanha, ele afirmou que não é preciso dizer o nome do seu correligionário porque ele já é o atual o presidente e, por isso, já está constantemente em evidência. Meirelles tem citado o nome do ex-presidente Lula em sua campanha e isso tem chamado atenção. 

Ele afirmou que faz isso porque que “muita gente não se lembra ou não tem conhecimento de que quem comandava a economia na época era eu”, disse. “É muito importante chamar a atenção disso sim”, afirmou, dizendo que a economia cresceu no período. “O mundo não se divide entre aqueles que gostam do Lula ou não, dos que gostam do Temer ou não, dos que gostam do FHC ou não. Se divide entre aqueles que trabalham quando o Brasil precisa e aqueles que não trabalham”, afirmou. Meirelles atuou nos oito ano do governo Lula como presidente do Banco Central, de 2003 a 2011.

Venezuela

Meirelles defendeu uma atitude "firme" em relação à Venezuela. O candidato disse que é importante respeitar a soberania, mas que não é possível ajudar o regime de Nicolás Maduro. "O Brasil tem uma política de respeito aos direitos humanos, mas por outro lado temos de defender os interesses da população de Roraima", afirmou.

"Não podemos ajudar um regime que está criando essa tragédia humana, econômica e de toda ordem. Vamos trabalhar duro para ajudar a população da Venezuela nessa crise monumental, mas se organizando e não jogando essa carga na população de Roraima".

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