Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Meirelles diz que governo Temer é 'extremamente bem-sucedido'

Ex-ministro da Fazenda disse ainda que 'terá orgulho de mostrar o histórico e os resultados para a população'

João Paulo Nucci, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2018 | 04h42

O pré-candidato do MDB, Henrique Meirelles, saiu em defesa da gestão de Michel Temer - da qual fez parte até abril. "O governo Temer é extremamente bem-sucedido, tirou o País da maior recessão da história", afirmou, em entrevista ao programa Band Eleições, transmitido pela Band na madrugada desta terça-feira, 19. "(A gestão Temer) é um projeto do qual participei e terei orgulho de mostrar o histórico e os resultados para a população."

O ex-ministro da Fazenda está estagnado nas pesquisas de intenção de voto e enfrenta resistência dentro da sigla. Meirelles procura se estabelecer dentro do MDB, no qual se filiou em abril, para ser confirmada sua candidatura na convenção de julho. Com 1% de intenção de voto, segundo o Datafolha divulgado na semana passada, Meirelles vem tentando descolar sua imagem da do governo Temer  - o presidente mais impopular da história, com 82% de desaprovação, segundo a mesma pesquisa. Em entrevista ao Estado no início do mês, chegou a dizer que rejeitava o "rótulo" de candidato do governo. 

Um dos principais críticos da candidatura de Meirelles,  o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, recebeu elogios do presidenciável durante a entrevista. "O Marun é uma pessoa muito espontânea", disse, ao ser confrontado com a declaração do ministro de que Meirelles não teria "nada a perder" defendendo Temer, porque não tem votos. Marun também já afirmou que o ex-colega de Esplanada e os demais pré-candidatos que se associam ao chamado centro democrático deveriam abrir mão de disputar em nome de um projeto conjunto. "Até o ministro Marun estará conosco (na candidatura)", disse o pré-candidato.

Meirelles garantiu que tem o apoio da "grande maioria" do partido para que seu nome seja confirmado como candidato na convenção de julho - embora lideranças importantes da legenda, como o senador Renan Calheiros (AL), se oponham ao seu lançamento. O ex-ministro também disse que sua candidatura, entre as de centro, é a com "maior potencial" para ir para o segundo turno e vencer as eleições.

"Temos medido isso", disse Meirelles. O presidenciável também afirmou estar confiante de que sua candidatura será beneficiada com a recuperação da economia, embora tenha reconhecido que o ritmo da retomada tenha diminuído no mês passado "por causa da ameaça dos extremos" nas eleições, segundo ele.

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Em relação ao questionamento ético que atinge o MDB e o governo Temer, Meirelles tratou de personalizar a questão - "Eu não tenho processo nenhum" -, mas esquivou-se de responder diretamente se cogita indicar Temer para alguma cargo de primeiro escalão que mantenha o foro privilegiado do presidente a partir de 2019. "Ainda não pensei em equipe, é muito prematuro."

Meirelles ainda tentou apresentar-se como o responsável pela sensação de bem-estar econômico vivida por boa parte da população durante a gestão Lula (2003-2010), quando foi presidente do Banco Central. "Um grande número de brasileiros entrou na classe média, se lembra da época em que podia comprar uma televisão, viajar. Não tenho dúvida que no momento em que fiquem sabendo quem foi o responsável pelo sucesso da economia naquele momento, acho que um grande número vai votar em nós." 

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