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Médico local se negou a fazer autópsia do corpo

Relatório da Polícia Federal coloca em xeque versão de que Berbert se suicidou

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2012 | 03h03

Um relatório da Polícia Federal põe em xeque a versão oficial sobre a morte de Ruy Carlos Vieira Berbert na cadeia de Natividade em janeiro de 1972. Localizado no Arquivo Nacional, o documento de dez páginas destaca que o médico da cidade do interior do hoje Estado do Tocantins se recusou a fazer a autópsia do corpo do guerrilheiro, que segundo o regime militar se suicidou na prisão. O trabalho acabou sendo feito de forma improvisada por um farmacêutico.

Na página seis, o relatório ressalta que um delegado pediu a autópsia ao médico Colemar Rodrigues Cerqueira. "Ao ser solicitado para fazer a autópsia do suicida, recusou-se dizendo, segundo foi informado, a seguinte frase: 'Este jovem luta por um grande ideal e vem morrer desse jeito aqui num lugar deste'", diz o documento. "O médico, após ser procurado, alegou viagem e deixou a cidade, com paradeiro ignorado. A autópsia foi feita por um farmacêutico local."

O corpo de Berbert foi sepultado às 18h30 do dia 2 de janeiro no cemitério da cidade, diz o relatório da Polícia Federal. Seus restos mortais, no entanto, nunca foram localizados.

Os pertences do guerrilheiro foram levados para o Ministério do Exército, em Brasília. O relatório é assinado pelo agente federal Paulo Celso Braga, de Goiânia. A equipe do agente só deixou Natividade no dia 4 de janeiro, dois dias após o suposto enterro de Berbert.

Em uma das seis fotografias a que o Estado teve acesso está o material supostamente encontrado com o guerrilheiro. Revólver, bomba de fabricação caseira, carteira de trabalho, carimbo, fotos, caixa de sapato com amostras de medicamentos, entre outros objetos.

No dia da morte, ele vestia calça jeans, camisa de algodão branca e calçava a bota cano curto "usada pela juventude", descreve o relatório oficial.

Ainda segundo o documento, Berbert foi visto morto às 2h30 de 2 de janeiro por um morador da cidade, Antônio Batista Borges. Ao passar em frente à cadeia e olhar pela grade, "viu a rede caída de um lado e presa no gancho de outro lado, olhou para um lado e para o outro, não viu o terrorista, e, ao olhar para cima, viu o referido elemento pendurado na forca no interior da prisão." Borges, diz a PF, passava ali para visitar um familiar.

No relatório, Berbert, antes de morrer, teria quebrado em pedacinhos uma caixa de fósforo e, com os pedaços, escreveu no piso da cadeia a palavra "Revolução" e, com o tubo de pasta dental, improvisou o desenho do escudo da bandeira russa (foice e martelo). / ALANA RIZZO e LEONENCIO NOSSA

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