‘Me sinto indestrutível’, afirma Orlando Silva

Em carta aos militantes do PC do B carioca, ministro do Esporte cita o poeta Pablo Neruda e volta a se defender das acusações de corrupção

Lucas de Abreu Maia, de O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h06

Em carta aos "camaradas" do PC do B, o ministro do Esporte, Orlando Silva - cujo cargo está ameaçado pelas acusações, feitas por um ex-militante do partido, de que teria recebido dinheiro público irregularmente -, citou o poeta chileno Pablo Neruda para se dizer "indestrutível". "Neste momento, como disse Pablo Neruda em sua carta ao Partido, me sinto indestrutível, porque contigo, meu partido (o PC do B), não termino em mim mesmo", escreveu no texto que foi lido na última sexta-feira em um encontro dos comunistas no Rio e divulgado no portal O Vermelho, que pertence à legenda.

"Não houve, não há e não haverá nunca ninguém capaz de nos intimidar", continuou o ministro. Na tentativa de demonstrar força política, Orlando Silva usou a carta para tentar exibir proximidade com a presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, as acusações têm "o objetivo final" de "derrotar o projeto inovador liderado pela presidente Dilma".

O ministro associou as denúncias de corrupção que alvejam o Ministério do Esporte à ditadura militar: "Nos tempos de terror usavam a tortura, prisão e assassinatos. Hoje, as mesmas forças usam o linchamento político, a execração pública para eliminar nossos companheiros".

Na sexta-feira, a presidente decidiu, após uma conversa com Orlando Silva, mantê-lo no cargo apesar do escândalo na pasta comandada por ele. A reunião com Dilma, no entanto, impediu a presença do ministro na conferência do PC do B fluminense, na qual era esperado.

A carta - enviada para compensar a ausência do ministro - atribui o escândalo à "luta de classes" e diz que o Ministério do Esporte, sob o comando da sigla, "produziu êxitos e vitórias para o nosso País".

Defesa. No texto, Orlando Silva voltou a se defender das acusações feitas pelo policial militar João Dias. "Desde o primeiro ataque fomos para luta de peito aberto. Chamamos uma coletiva, exigimos investigação e a apresentação de provas, que até hoje não apareceram", alegou.

"Nossa atitude e a unidade inquebrantável de nosso partido surpreenderam. Não seremos intimidados! Não aceitaremos o roteiro traçado pelas forças conservadoras!"

O ministro ataca ainda a "grande mídia nacional, que sem nenhum pudor quer macular 90 anos de uma história de lutas (do partido)".

O ministro tem repetido que a imprensa tem dado voz "a um bandido processado pela Justiça" . No ano passado, Dias foi preso na Operação Shaolin acusado de desviar dinheiro da pasta.

Desagravo. O presidente do partido, Renato Rabelo, transformou o encontro de sexta-feira em um desagravo a Orlando Silva . Dizendo ter recebido o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele afirmou que "o ministro merece toda a nossa confiança, todo o nosso apoio". E fez uma ameaça velada: "Eles não sabem com quem estão lidando".

"O PC do B não vai temer diante de uma montagem como essa, se intimidar, se dobrar", disse Rabelo.

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