Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

MDB: em convenções passadas, xingamentos, brigas, quebradeira...

Desconforto causado por Renan dizer que candidatura de Meirelles é 'mico' não chega perto do histórico de confusões dos eventos da sigla

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2018 | 11h13

O desconforto provocado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) ao chamar a candidatura de Henrique Meirelles nas eleições 2018 de "mico" e afirmar que ela irá atrair a "toda a rejeição" do governo Michel Temer durante a convenção do partido nesta quinta-feira, 2, ainda não chega perto do histórico de confusões e provocações que os eventos da sigla costumam produzir.

Na convenção de 1998, o partido estava dividido entre os que defendiam a candidatura própria ou apoiar um segundo mandato para o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na ocasião, os governistas eram chamados de "pilantras" por defenderem a reeleição de FHC e, segundo seus detratores, pagarem uma claque para agitar a convenção.

Naquele evento, Geddel Vieira Lima foi chamado de "percevejo" e Roberto Requião de "Maria Louca" (apelido dado pelo ex-governador Orestes Quércia). Na ocasião, Jader Barbalho era acusado por correligionários de fazer "intriga de costureira".

O ex-presidente Itamar Franco subiu na tribuna e fez um discurso bastante personalista (como era de seu estilo) dizendo que FHC jamais teria sido eleito se não fosse o apoio do PMDB (agora MDB). Na fala aos correligionários, Itamar disse que havia trabalhado para que o então governador do Rio Grande do Sul e seu ex-ministro da Previdência, Antônio Britto, fosse seu indicado para sucedê-lo.

O episódio mais grave da convenção de 1998 aconteceu quando 250 partidários da reeleição de FHC, uniformizados com camisetas amarelas, alguns deles portando correntes e soco-inglês, invadiram o plenário da Câmara dos Deputados (palco do evento) e partiram para cima dos integrantes do MR-8, contrários à reeleição - portas de vidro foram quebradas.  Em uma foto que estampou a capa de diversos jornais, um militante não identificado do MR-8 aparecia ferido no meio da confusão, com o rosto sangrando. No final, o apoio à reeleição de Fernando Henrique venceu por 389 votos a 306.

Mais para trás, em 1987, o Estado estampou o seguinte título: "Convenção vira circo". O tal circo foi a briga de claques e militantes na convenção do PMDB - que na ocasião discutia 5 anos de mandato para o então presidente José Sarney. Empurrões e xingamentos foram registrados durante toda a cobertura do evento. Em um discurso inflamado, o ex-governador  Franco MoNtoro afirmou que "mandato não é para ser negociado, não é cosa nostra, coisa de máfia".

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