Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Marun ameniza discurso contra Meirelles, mas vê risco de polarização no 2º turno

Ministro da Secretaria de Governo admitiu ter 'medo' do que está por vir no pleito eleitoral

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 18h19

BRASÍLIA - Em reunião a portas fechadas da bancada do MDB na Câmara, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse nesta quarta-feira, 6, que, se o partido não conseguir fechar alianças, vai perder a eleição ou para o deputado Jair Bolsonaro (PSL), considerado de extrema-direita, ou para "qualquer candidato do PT". Diante do ex-titular da Fazenda Henrique Meirelles, pré-candidato do MDB à Presidência, Marun admitiu ter “grande medo” do que está por vir. 

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“Nós temos de ganhar, senão todo esse esforço vai ser em vão”, afirmou Marun a uma plateia formada por deputados federais. “A  eleição sinaliza hoje um segundo turno entre o Bolsonaro e o candidato do PT, aquele que o Lula escolher. Não é o Ciro que vai, não. Deve ser o Haddad”, completou o ministro, em uma referência ao pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, e ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), que hoje coordena o programa de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde 7 de abril.

Pesquisas encomendadas pelo Palácio do Planalto indicam que Lula, mesmo se for impedido de levar adiante sua candidatura, por causa da Lei da Ficha Limpa, será forte cabo eleitoral nesta campanha. Até agora, a cúpula do MDB avalia que um concorrente ungido por Lula poderá ter mais apoio do que Ciro.

Marun afirmou ter falado “em caráter pessoal” quando defendeu a retirada da candidatura de Meirelles e de outros presidenciáveis do centro político, em nome da união desse bloco na disputa. “Quantos votos tem o Meirelles?”, chegou a perguntar ele, em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, no domingo. Atualmente, o pré-candidato do MDB ao Planalto aparece com patamares que variam de 0,3% a 1,4% nas pesquisas de intenção de voto.

Enquadrada

Na noite de terça-feira, 5, o presidente Michel Temer chamou Marun para uma conversa reservada e pediu para que ele amenizasse as declarações contra Meirelles. Temer ouviu reclamações do presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), para quem Marun passou dos limites.

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Nesta quarta, antes da reunião com a bancada do MDB, o ministro da Secretaria de Governo se encontrou com Meirelles para tentar alinhar o discurso. “Devemos  tocar a campanha, mas buscar alianças para que possamos nos fortalecer e superar a extrema direita e a esquerda”, disse Marun no encontro do MDB com Meirelles, jogando água na fervura política que tomou conta do partido, nos últimos dias. Depois, virando-se para o ex-ministro, prosseguiu: “Senhor Meirelles, se houve algum constrangimento em minhas declarações, saiba aqui a admiração que tenho pelo senhor.”

Apesar de admitir o medo de o MDB ser derrotado, Marun procurou fazer um pronunciamento otimista. “Nós estamos no caminho certo, levando nosso candidato, mas também nos mantendo atentos à necessidade de trazer conosco os partidos que fizeram o impeachment (da então presidente Dilma Rousseff) e governaram até hoje”, argumentou.

Estado apurou que o MDB do Rio Grande do Sul rejeita Meirelles, a exemplo de outros diretórios regionais, como Alagoas, Pernambuco, Paraná e Santa Catarina. Em público, no entanto, os deputados gaúchos não fizeram qualquer questionamento, embora nos bastidores muitos avaliem que o partido deveria trocar Meirelles pelo ex-ministro Nelson Jobim.

A candidatura de Meirelles ainda terá de passar pelo crivo da convenção do MDB, no fim de julho. Na tentativa de arregimentar adesões, o ex-titular da Fazenda intensificará as viagens e visitas aos correligionários, a partir deste fim de semana. 

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