Marta volta a chamar a atenção para biografia de Kassab

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, voltou a enfatizar a necessidade dos eleitores conhecerem a biografia de seu adversário do DEM, o prefeito Gilberto Kassab. "Quem eleger Kassab vai estar dando um cheque em banco a quem não conhece", afirmou. Durante sabatina promovida hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, a petista alertou que a capital paulista pode estar prestes a cometer um erro semelhante à eleição de Celso Pitta, na linha da candidata de associar Kassab ao ex-prefeito. "É importante que as pessoas conheçam todo esse DNA do Gilberto Kassab", afirmou ela, referindo-se à atuação do prefeito na gestão de Pitta, em que foi secretário de Planejamento. Marta, da coligação "Uma Nova Atitude para São Paulo" (PT-PCdoB-PDT-PTN-PRB-PSB), deixou transparecer que sua estratégia é tentar criar uma desconfiança com relação a Kassab. Em sua avaliação sobre o debate de ontem, promovido pela Rede Bandeirantes, ela se saiu vitoriosa. "Pude criar desconfiança na base do eleitorado (do adversário)."A candidata foi duramente questionada sobre a inserção publicitária na qual questiona se Kassab, da coligação "São Paulo no Rumo Certo" (DEM-PR-PMDB-PRP-PV-PSC), é casado e se tem filhos. O prefeito de 48 anos é solteiro e não tem filhos. Ela chegou a bater boca com seu entrevistadores e reclamou que foi alvo de forte invasão de privacidade. "Eu entro em um restaurante e vocês vêm perguntar quanto custa o que eu comi", afirmou.Ela disse que é contra baixar o nível da campanha, mas afirmou todo o tempo que "trajetória e biografia é necessário que as pessoas conheçam". Diante da insistência dos jornalistas sobre a questão da inserção, Marta revidou: "Eu não estou aqui para discutir isso". Mas depois, tentou minimizar. "É tudo político. Para mim, tanto importa ele ser viúvo, casado ou solteiro."Entretanto, Marta procurou eximir-se da responsabilidade sobre a peça publicitária e afirmou que não lhe compete a eventual decisão de tirá-la do ar. "A decisão está na mão do marqueteiro", afirmou a candidata, e chegou a dizer que não viu a inserção.Questionada sobre declarações contidas em seu livro Minha vida de prefeita, referentes à separação do senador Eduardo Suplicy, Marta reagiu duramente à possibilidade de ter sua própria privacidade invadida. "O que eu queria colocar a publico, não pela Folha, eu escrevi", afirmou. "Não admito que a Folha venha me perguntar da minha vida privada além do que já faz e já fez."''Prefeito da propaganda''Marta manteve a estratégia de tentar desconstruir seu adversário em duas figuras: "de um lado, o prefeito real, e do outro, o prefeito da propaganda". Ela acusou Kassab de ser eleitoreiro, ao se referir sobre o Centro de Ensino Unificado (CEU) profissionalizante. Segundo ela, Kassab primeiro vetou o projeto e depois adotou a proposta, de olho na campanha. "Além desse DNA totalmente escondido, tem duas pessoas. É uma que veta, e outra que propõe."Marta chegou a bater boca com a platéia. Em um determinado momento, foi questionada sobre sua propostas de isentar os profissionais autônomos do Imposto sobre Serviços (ISS). Ela acusou Kassab de ter criado uma taxa de 2% para taxistas e afirmou que ele copiou sua proposta de desoneração. Uma senhora na platéia reagiu e disse que foi a petista quem copiou o prefeito. De pronto, Marta revidou: "Por que ele não fez antes? Ele está lá há quatro anos. A senhora não acha que ele já poderia ter feito essa desoneração?"Marta criticou as escolhas políticas de seu adversário. "Ele poderia ter escolhido qualquer partido, mas escolheu o PFL", apontou. "É um partido que acabou porque simboliza o atraso do atraso do atraso".Primeiro turnoMarta Suplicy avaliou positivamente o primeiro turno da campanha, apesar de ter liderado a corrida desde o início e ter terminado a disputa atrás de Kassab. Ela afirmou que foi alvo de todos os seus oponentes e disse que nesta nova fase da disputa municipal tanto ela quando Kassab têm o mesmo tempo de horário eleitoral gratuito na televisão. Ela aproveitou para fazer um novo aceno ao eleitorado de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato da coligação "São Paulo, na Melhor Direção" (PSDB-PTB-PHS-PSL-PSDC), e avaliou que para o tucano "pesou muito" não poder mostrar todos os seus projetos. "Agora os governos serão comparados, as biografias serão comparadas."

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