Marta vira alvo de Alckmin, Kassab e até de Soninha no debate

Petista acusou prefeito de má gestão e tucano, de provocar crise na segurança; os dois contra-atacaram

ANDREIA SADI, Agencia Estado

11 de setembro de 2008 | 23h17

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, foi o alvo das críticas no segundo debate da TV Bandeirantes. Até a ex-petista Soninha Francine, do PPS, duvidou da afirmação de que Marta fez 100 quilômetros de corredores de ônibus.  "Eles começaram a ser feitos desde a gestão do Covas", afirmou. O prefeito Gilberto Kassab, candidato do DEM, e a petista polarizaram a discussão no terceiro bloco, defendendo as respectivas gestões. Marta acusou Kassab de falta de planejamento para "gastar o dinheiro em coisas de que a cidade realmente precisa". Então Kassab respondeu: "Tomara que Marta não ganhe a eleição, senão ela vai quebrar a Prefeitura."  Marta e Kassab também discordaram sobra as Organizações Sociais (OSs) que cuidam da gestão da saúde.     Veja também: Especial: Perfil dos candidatos Blog: principais momentos do debate da Band    Veja galeria de fotos do debate da Band  Veja gráfico com a última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo  Novo marqueteiro de Alckmin diz que 'foi pego de surpresa'  Alckmin comete 'suicídio político', diz coordenador do PT  Debate da Band teve mais animação na platéia  Alckmin acusa Kassab de não ter coragem e mentir     Participaram do debate além de Marta, Kassab e Soninha, Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Maluf (PP), Ivan Valente (PSOL), Renato Reichmann (PMN) e Ciro Moura (PTC). Petista criticou o tucano, afirmando que, durante o governo dele no Estado, a capital paulista sofreu "a pior crise de segurança, rebeliões, chacinas" e que o PSDB não ajudou na Prefeitura, "pois extinguiu a Secretaria de Segurança e sucateou a Guarda Municipal." Alckmin respondeu que "se há uma área de que sua gestão pode se orgulhar é a segurança", apresentando dados sobre homicídio.   PAC da mobilidade   Marta Suplicy disse que três medidas serão tomadas "no dia seguinte à eleição". "A curto prazo é investir na CET e no SPTrans para recuperar capacidade de gestão, a médio investir nos corredores de ônibus e a longo prazo, no metrô", disse. "Conversei com Lula e Dilma quando ainda era ministra e leivei a eles um plano de investimento no metrô de São Paulo que foi aprovado, ou seja, o PAC da mobilidade urbana poderá ser apresentado", disse.   Marta x Kassab   Questionado sobre parcerias privadas na saúde, Kassab ressaltou "que não é qualquer entidade privada que faz parceria, são entidades idôneas como USP, Unifesp". "Graças a essas parcerias implantamos 115 Amas, 12 hospitais. Hoje, segundo pesquisas, 30% da população entendem que o nosso serviço é ótimo ou bom, 70% ainda não, mas no início da nossa gestão 0% achava", acrescentou. Ele lembrou ainda que está amparado por uma liminar para essa ação, "que, para a cidade, é muito importante como modelo de parcerias."   Marta replicou às afirmações de Kassab dizendo que manterá a fiscalização e o controle. "Em relação ao que diz o Kassab, nós temos a sensação de que nós estamos vivendo num mar de fantasia, porque quem está precisando da saúde sabe que não é um mar de fantasia. Nós vamos criar as policlínicas. As AMAs ajudam, mas não resolvem e nós vamos melhorá-las." Kassab replicou: "As policlínicas já existem, assim como Mãe Paulistana, Remédio em Casa, informatização do sistema, eu conheço a cidade real e, infelizmente, a sua gestão não foi aprovada, você não foi reeleita principalmente porque foi muito mal na saúde."   Na troca de farpas entre Marta e Kassab, a platéia de petistas e democratas deu demonstrações de apoio para os respectivos candidatos. Quando o mediador Boris Casoy devolveu a palavra a Kassab, os petistas reclamaram, fazendo com o que o jornalista levasse a questão para a comissão de juristas para avaliar se Kassab teria direito de resposta, o que foi rejeitado. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), comentou, antes, com petistas: "Ele (Kassab) não vai ter (direito de resposta)." O deputado estadual Rui Falcão, do PT, atacou Kassab. "Ele planejou bem as escolas de lata", disse, citou também a existência das "AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) de lata".   Alckmin x Marta   Alckmin disse que Marta deixou um rombo nas contas da cidade. A candidata respondeu que essa redução está sendo questionada pelo Serra. "Nós pegamos uma cidade acabada pelo Pitta e Maluf, conseguimos terminar nosso mandato com CEU, Bilhete Único e com superávit de 91 milhões. Vocês fizeram processos que foram para o Supremo e eles dissseram que cumprimos, sim, com a lei orçamentária", disse. "Essa gestão do PSDB e do DEM que deixa dinheiro para os banqueiros ao invés de investir na população, a nossa gestão foi muito boa para quem tinha poucos recursos", acrescentou.   Alckmin replicou que "a verdade é bem diferente". "Todas as obras paradas, hospital que não saiu do chão, não pagou conta de energia, criou a taxa da luz e não pagou a conta. O meu compromisso com você que paga impostos é boa gestão, fazer mais, fazer melhor e não deixar para o sucessor dificuldades."  Moura disse que em 2000 Marta prometeu melhorar a saúde e, em 2004, criar o CEU Saúde, e não cumpriu: Ninguém acreditaria na promessa da petista.   Maluf x Soninha Depois, ao ser perguntado por Soninha sobre as medidas que tomará para combater a corrupção caso for eleito, Maluf atacou. "Sobre a corrupção, acho que você está na ''ordem do dia'', porque os jornais estão dando que você disse que alguns vereadores se vendem por dinheiro. Não existe corrupção sem corruptor. Me diga quem recebeu dinheiro e quem foi o prefeito que pagou, pois eu não fui", disse. No dia 5, Soninha declarou, durante sabatina do Grupo Estado, que sabia de casos de vereadores que recebiam dinheiro para aprovar projetos. Soninha rebateu dizendo que não é preciso ser vereador para ter conhecimento de casos de corrupção nos parlamentos. "É preciso combater a corrupção ''desburocratizando'' os processos que dão margem à corrupção", afirmou.Maluf insistiu. "Você não teve coragem de dizer os nomes. O que eu posso dizer é que fui prefeito com R$ 6 bilhões e fiz mais do que quem me sucedeu com R$ 150 bilhões, e pode somar aí o Alckmin. Onde está o dinheiro das administrações atuais? Eu fiz mais com menos. E digo mais: entrei na política rico e hoje posso dizer que sou menos rico do que antes", terminou.   Elogios de Soninha e reclamações de Maluf   Soninha elogiou projeto Ler e Escrever, de Kassab, e o secretário da gestão de Serra que continuou a administração do DEM, Eduardo Jorge, do Verde e Meio Ambiente. "O programa cuida das gestões ambientais, e isso tem que ser mantido. Muitas coisas boas têm que ser mantidas. Meu projeto de lei substitui material da prefeitura por matéria reciclável", terminou. Soninha também elogiou os Centros de Educação Unificados (CEUs).  Maluf reclamou que regras do debate o impediam de perguntar para Marta, Kassab e Alckmin. Então ele resolve perguntar para Reichmann sobre seu plano de programa para creches.   Ivan Valente   Questionado sobre a possibilidade de trazer de volta a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), o candidato Ivan Valente (PSOL) disse que a empresa foi "corroída por dentro e depois desmontada", mas que isso não significa que uma companhia pública não possa ser "criada, fiscalizada e dê certo." "É preciso regular, com controle da população, ter empresas públicas que sirvam ao interesse público", acrescentou.   Reichmann x Kassab O candidato Renato Reichmann (PMN) perguntou para o prefeito Gilberto Kassab (DEM) qual seria o seu projeto para, em um ano, não haver criança na rua. O candidato respondeu que a cidade é uma das mais avançadas do País mas precisa investir muito no social ainda. "Tivemos oportunidade de melhorar os equipamentos direcionados a essas crianças. Com diversas ações para que pudéssemos reduzir o número de menores nas ruas, e vamos melhorar mais. Construindo ações de forma integrada, vamos construir o caminho da solução. Esse problema é próprio dos grandes centros."Reichmann perguntou se haveria um programa para colocar as crianças dentro de famílias, ao que Kassab respondeu que ele tocou em uma questão muito importante, que é a das creches. "Quando assumi são Paulo tinha 61 mil vagas, agora tem 105 mil e o nosso compromisso é eliminar o déficit de vagas. É evidente que todas as soluções lembradas são positivas, mas o que é preciso ver o compromisso da sociedade para cumpri-los."   Gafe e risos O toque de humor do segundo bloco foi dado por Maluf. Ele arrancou risadas da platéia - incluindo Lu Alckmin, mulher do candidato tucano, e Luis Favre, marido de Marta - quando voltou a relacionar todas as obras viárias que fez na cidade de São Paulo.     No bloco, Casoy cometeu uma gafe, ao chamar o candidato Ciro Moura, do PTC, de Ciro Gomes, ex-ministro e ex-candidato a presidente da República. Boris pediu desculpas e Moura reagiu com bom humor.

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