Marta Suplicy some da campanha eleitoral em São Paulo

Considera 'puxadora de votos' no Estado, ex-prefeita da capital paulista foi escanteada por Dilma Rousseff

Vera Rosa Ricardo Della Coletta , O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 22h06

Escanteada pela presidente Dilma Rousseff, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, desapareceu da campanha do PT em São Paulo, Estado que deu uma vantagem de mais de 4 milhões de votos para o candidato do PSDB, Aécio Neves.

Marta foi prefeita de São Paulo entre 2001 e 2004 e, em eleições anteriores, atuou como importante puxadora de votos para os candidatos do partido, sobretudo na periferia da capital. Nesta campanha ela está fora de combate e seus amigos já pediram até ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que faça alguma coisa para reabilitá-la.

O mal estar com Marta começou a se agravar em setembro, quando Dilma chamou o ex-ministro Juca Ferreira para coordenar o programa de Cultura do comitê da reeleição. Marta ficou sabendo da notícia por amigos. O gesto foi interpretado como uma nomeação de Ferreira para o ministério, em eventual segundo mandato.

O problema é que Dilma não perdoa Marta porque, no início do ano, ela organizou três jantares com empresários, artistas e líderes petistas propondo uma "reflexão" sobre a possibilidade de uma candidatura de Lula. Com o gesto, a ex-prefeita ficou conhecida como uma das principais expoentes do movimento "Volta Lula" dentro do PT.

Petistas ouvidos pelo Estado afirmam que Marta precisa estar na linha de frente da campanha para que Dilma consiga avançar no maior colégio eleitoral do País, hoje um terreno adverso para ela.

Em conversas reservadas, dirigentes do PT têm dito que o prefeito Fernando Haddad (PT) vai recuperar a popularidade, mas não a tempo de ajudar Dilma, que registrou em São Paulo o segundo pior desempenho no País, somente atrás do Distrito Federal. Não foi só: o PT não conseguiu eleger o candidato ao governo, Alexandre Padilha, e encolheu no Estado, perdendo oito deputados federais.

"Sentimos a ausência da Marta na reta final do primeiro turno e, principalmente, no segundo turno. É muito ruim não ver a Marta na linha de frente nesse momento", afirmou o deputado Vicente Cândido (PT-SP). "Não sei o que está acontecendo, não falei com ela. Também é papel da direção procurar ligar, chamar, convidar e ver o que tem de errado nessas ausências que a Marta tem tido em São Paulo", cobrou.

No fim de setembro, Marta teve um atrito com o presidente do PT, Rui Falcão, coordenador da campanha de Dilma. Numa carreata no Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, Falcão pediu que a ex-prefeita descesse da caminhonete onde estavam Dilma, Haddad, Padilha e o candidato do PT ao Senado, Eduardo Suplicy, que acabou derrotado. Falcão, que foi secretário de Governo de Marta, queria que ela se acomodasse em outro carro, onde estavam ministros e parlamentares. A titular da Cultura não cedeu, mas, desde então, não participou mais de nenhum ato de campanha.

Em 2012, Marta só entrou na campanha de Haddad depois de muitos pedidos e de uma conversa com Dilma, onde foi acertada sua ida para o Ministério.  Na ocasião, a ex-prefeita chegou a dizer que Haddad precisava gastar "sola de sapato" para se eleger.

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