DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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Marta Suplicy se filia ao Solidariedade e pode concorrer nas eleições municipais

Ex-prefeita defende a formação de uma frente da centro direita à esquerda para enfrentar o bolsonarismo; ela chegou a ser cotada numa chapa com Fernando Haddad (PT)

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 13h59

Faltando dois dias para o fim do prazo de filiação para quem quiser concorrer nas eleições municipais deste ano, a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy assinou a ficha de entrada no Solidariedade.

O papel que Marta terá nas próximas eleições municipais vem sendo especulado desde o fim do ano passado, quando surgiu a hipótese de que ela seria candidata à vice na chapa de Fernando Haddad (PT). Também ex-prefeito, Haddad tem declarado que não tem pretensão de concorrer à Prefeitura. O PDT também surgiu como possível destino da ex-ministra nos últimos meses.

Em um texto no qual explica as razões da escolha, a ex-prefeita defende a formação de uma frente ampla que vá dos liberais de centro direita aos progressistas de esquerda para enfrentar candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro e diz que o “oportunismo eleitoral” deve ser colocado de lado.

“A união é necessária para termos capacidade e condições de formularmos as respostas para a construção de programas sociais abrangentes e políticas públicas emergenciais. Está colocado o desafio de abandonar o oportunismo eleitoral e nos centrarmos no que nos une. Colocarmos de lado as divergências acessórias para aprofundarmos projetos urgentes de prevenção sanitária, saneamento básico, cuidados e acolhimento de toda a população, em especial os mais carentes e desprotegidos”, diz a ex-prefeita.

A ex-prefeita tem dito em entrevistas que, desde que se desfiliou do MDB, em 2018, está disposta a concorrer a qualquer cargo na eleição para a prefeitura deste ano desde que sua participação ajude a cimentar a unidade de uma frente democrática contra o bolsonarismo.

A filiação de Marta ao Solidariedade acontece no dia em que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), faz um aceno à esquerda ao compartilhar uma mensagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Marta, que teve a volta ao PT barrada por setores da militância petista, embora tivesse apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, critica o sectarismo no texto.

“Fora de hora e equivocados estão os que insistem, também de forma irresponsável, no debate de disputas internas partidárias voltadas para o próprio umbigo. Não há mais cabimento em apontar a lua mas não conseguir enxergar além do que o próprio dedo. A lógica da solução eleitoral através de disputas apequenadas devem ser superadas, pois acabam prevalecendo sobre os interesses maiores da cidade e do país”.

Eleições em São Paulo

Presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força (SP), afirmou que, a partir da filiação de Marta, o partido vai discutir com outras siglas um projeto para a prefeitura de São Paulo. “Ela veio com objetivo de disputar eleição, mas a ideia é construir uma frente mais ampla para não ser candidatura isolada. Tem expressão nacional. Vamos conversar com os partidos, com as lideranças de São Paulo”, disse Paulinho.

Embora existam discussões sobre adiamento das eleições municipais por causa da pandemia do coronavírus, o cenário eleitoral paulistano já tem nomes confirmados. Com apoio do governador João Doria, o prefeito Bruno Covas (PSDB) trouxe para seu palanque PSC, Podemos, Cidadania, DEM e PL. Ainda não é possível calcular exatamente o número de inserções a que Covas terá direito na propaganda de TV, mas é certo que ele contará com 40% do espaço reservado aos candidatos. O PSDB também está em estágio avançado de conversas com o MDB e negocia com o Republicanos.

O apresentador José Luiz Datena filiou-se ao MDB, mas sinaliza que seu projeto é disputar o Senado em 2022. Ele deve apoiar Covas. 

O ex governador Márcio França (PSB) já fechou com o PDT de Ciro Gomes. O PCdoB lançou o deputado Orlando Silva, e o PSOL ainda espera a realização de prévias para a anunciar a chapa Guilherme Boulos e Luiza Erundina.

Leia a íntegra da nota de Marta:

Frente Ampla e Solidariedade

Filiei-me ao Solidariedade com a perspectiva de continuar lutando pela construção de uma Frente Ampla para disputar as eleições de 2020 que poderá governar a cidade de São Paulo com força política, competência e compromisso social.

Nesta arquitetura de Unidade Democrática posso exercer qualquer papel. Pretensão pessoal não é o que me move neste momento.

A situação gravíssima que vivemos requer ousadia, fé, coragem e muita Solidariedade.

A unidade das forças liberais, de centro, progressistas, todas democráticas, coloca-se como inexorável.

Os graves riscos de ordem institucional, econômica, os equívocos e irresponsabilidades de vários governantes, colocam a necessidade da união de todos que, com espírito público, tenham sensibilidade em reconhecer as enormes desigualdades sociais e a necessidade de ações concretas, diretas e urgentes para a diminuição do sofrimento da população.

A perspectiva de focar o futuro da cidade com grandeza e desprendimento impõem-nos o desafio de não incentivarmos ações de isolamento desta ou daquela força politica do mesmo campo democrático. Esse não é um bom caminho. Não faz sentido a promoção de nenhum tipo de sectarismo em detrimento das enormes necessidades da cidade e da população.

Fora de hora e equivocados estão os que insistem, também de forma irresponsável, no debate de disputas internas partidárias voltadas para o próprio umbigo. Não há mais cabimento em apontar a lua mas não conseguir enxergar além do que o próprio dedo.

A lógica da solução eleitoral através de disputas apequenadas devem ser superadas, pois acabam prevalecendo sobre os interesses maiores da cidade e do país.

A hora é de olharmos para São Paulo com faróis altos colocando como prioridade a superação da gravíssima crise hoje vivida e a diminuição do grande fosso de desigualdades.

A união é necessária para termos capacidade e condições de formularmos as respostas para a construção de programas sociais abrangentes e políticas públicas emergenciais.

Está colocado o desafio de abandonar o oportunismo eleitoral e nos centrarmos no que nos une. Colocarmos de lado as divergências acessórias para aprofundarmos projetos urgentes de prevenção sanitária, saneamento básico, cuidados e acolhimento de toda a população, em especial os mais carentes e desprotegidos

A unidade democrática e progressista poderá ser o instrumento para São Paulo dar um basta ao escandaloso e equivocado desmonte das políticas públicas populares.

Só assim o Brasil poderá abrir caminhos para reencontrar-se e acordar do terrível pesadelo em que se encontra.

Marta Suplicy

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