Marta sai politicamente enfraquecida da disputa em SP

Cientistas políticos avaliam situação da ex-prefeita da capital paulista após derrota para Kassab

Daniel Galvão e Elizabeth Lopes, de O Estado de S.,

26 Outubro 2008 | 20h23

A ex-ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) sai politicamente enfraquecida com a derrota para o prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM) nessas eleições municipais na capital paulista. Mas não será a ruína para Marta, pois ela terá ainda um espaço político assegurado, mesmo que esse espaço se restrinja a cargos na área legislativa. A avaliação é de cientistas políticos entrevistados pela Agência Estado.   Veja também: Marta admite derrota e liga para Kassab para parabenizá-lo Kassab sai vitorioso e ficará mais 4 anos na Prefeitura de SP Galeria de fotos: 'O dia de Marta' Em disputa apertada, Paes vence Gabeira no Rio Márcio Lacerda, do PSB, é eleito prefeito Geografia do voto: desempenho dos partidos no País  Cobertura completa das eleições 2008 Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos Blog: acompanhe a cobertura em tempo real    Segundo o cientista político Carlos Melo, doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a ex-ministra do Turismo sai mais fraca porque é a segunda derrota dela em eleições municipais - a primeira, foi numa tentativa de reeleição. "Eu acho que a Marta, sinceramente, nunca foi exatamente uma liderança. Sempre foi uma celebridade, com um trabalho muito sério e importante numa área específica. Ela virou prefeita de São Paulo dentro de condições específicas, no ocaso do malufismo, em 2000", afirma.   Mas a favor de Marta, diz Melo, está o fato de o PT não ter muitas alternativas para o governo estadual em 2010. "Se olhar para os nomes, foram muito abalados pelo escândalo do 'mensalão', como Genoino (José Genoino, deputado) e Palocci (Antonio Palocci, deputado). O Mercadante (Aloizio Mercadante, senador) não foi atingido pelo 'mensalão', mas pelos aloprados (que protagonizaram o caso do suposto dossiê contra os tucanos, em 2006). O Chinaglia (Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara dos Deputados) é um nome, mas não tem o índice de conhecimento do eleitor que a Marta tem, é uma liderança a ser construída", declara.   Ao contrário de Melo, o cientista político Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente, acredita que Marta não deverá ter cacife para brigar pela cabeça de chapa do PT nas eleições ao governo de São Paulo em 2010. "Eu acredito que Marta se despede do cenário político executivo e pode voltar ao parlamento", destaca. Dantas acredita que a postura da ex-ministra neste segundo turno a levou a perder muitos votos e a criar uma rejeição ainda maior ao seu nome.   Já a cientista política e socióloga Lourdes Sola, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que Marta sai politicamente debilitada deste pleito por três causas básicas: mostrou nessa disputa que Lula não transferiu os votos necessários, acabou reforçando politicamente o adversário tucano José Serra, que teve seu afilhado político (Kassab) reeleito e não conseguiu atrair uma ampla aliança de partidos em torno de sua candidatura, como o PMDB, partido que mais elegeu prefeitos no País (cerca de 1,2 mil) e galgou a engenheira Alda Marco Antônio, apadrinhada do ex-governador Orestes Quércia ao posto de vice-prefeita.   Melo, da PUC-SP, acentua que a ex-prefeita de São Paulo tem um espaço certo na Câmara dos Deputados em 2010. "Ela pode até ocupar um ministério por conta da personalidade dela, mas pela força política, não." Para o cientista, "ela é uma figura polêmica, controversa e tem um porcentual de rejeição bastante alto".   Segundo Lourdes, da USP, um outro fator importante, mas não determinante para a derrota de Marta, foi o "erro estratégico" da publicidade eleitoral gratuita do PT na televisão, que questionou a vida pessoal do prefeito reeleito. "Não pega bem abordar a vida pessoal. Se houve rejeição do eleitor a essa tentativa, isso é muito bom, pois é um sintoma de amadurecimento eleitoral", acrescenta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.