Marta recusa 'mãos dadas' com Kassab em palanque de SP

Senadora condiciona participação na campanha de Haddad ao fim das negociações com o prefeito, que a derrotou na disputa de 2008

VERA ROSA / BRASÍLIA , FERNANDO GALLO / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h08

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) considera um pesadelo a possibilidade de aliança entre o candidato petista Fernando Haddad, e o PSD do prefeito Gilberto Kassab. Marta desistiu da disputa em São Paulo, a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas até agora não entrou na campanha de Haddad. Ex-prefeita, Marta deu ontem a primeira declaração enfática contra a aliança, mas a direção municipal do PT dá como certa sua participação na campanha.

"Eu tenho o direito de não mergulhar de cabeça e aguardar a decisão do meu partido sobre a aliança. Preciso ser muito cuidadosa, porque senão corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas com Kassab", disse Marta, que em 2008 disputou a Prefeitura de São Paulo e foi derrotada por Kassab no segundo turno. A petista fez uma campanha controversa em que atacava duramente o prefeito.

"Estou vendo um esforço grande (do PT) para a coligação, mas isso me parece muito complicado", comentou. "Todos os militantes ouviram a desconstrução do Kassab nas plenárias que fizemos. O que vamos falar agora para eles?" Marta fez as afirmações, em tom de desabafo, à saída da reunião do Diretório Nacional do PT e não escondeu o mal-estar com a negociação do PT com Kassab, defendida por Lula.

A proposta de aliança, feita por Kassab ao ex-presidente, divide os petistas, mas deve ser aprovada pelo diretório municipal. O argumento é que todo o sacrifício precisa ser feito para conquistar a capital paulista.

O presidente do diretório municipal do PT, vereador Antonio Donato, assegurou que Marta entrará na campanha de Haddad e disse que ela deveria participar das conversas sobre as alianças. "Temos certeza de que Marta estará na campanha. É importante que ela participe do processo interno de discussão de alianças. Não existe decisão do partido sobre coligações", insistiu.

A assessoria de imprensa de Haddad afirmou que ele não se manifestaria sobre as declarações da senadora. Entre os aliados do pré-candidato, no entanto, avalia-se que a reação de Marta não significa uma recusa de participação na campanha, caso Kassab esteja alinhado. "Ela vai vir. Mas convenhamos, agora não tem nada pra fazer. Ela vai fazer comício, gravar para a TV, quando chegar a hora. Não vai participar de reunião de diretório ou conselho político porque não tem paciência pra isso."

Ex-secretário de Marta quando ela foi prefeita, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), discordou da avaliação da senadora. "Se o Kassab fizer uma autocrítica, não vejo problema na aliança. Acho um pressuposto muito ruim a ideia de recusar apoio", afirmou. Tatto pediu "paciência" ao PT. "É isso mesmo. Em Curitiba, nós fazemos aliança com (Gustavo) Fruet e, em São Paulo, vocês aceitam Kassab", alfinetou o deputado André Vargas (PR).

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