Marta quer desconstruir 'imagem falsa' de Kassab

A cinco dias do segundo turno, a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, quer desconstruir a "imagem falsa" que o atual prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), teria conseguido formar entre os eleitores da capital paulista. Em entrevista concedida à Rádio Eldorado, Marta questionou o caráter do candidato do DEM e o acusou de recorrer a subterfúgios e fazer um "teatro" para enganar o eleitor. "Eu posso ter errado e acertado. Onde eu errei, pedi desculpas. Mas enganar o eleitor, eu nunca enganei", disse. "O questionamento é muito sério, profundo, e é para advertir a população de São Paulo."Marta, da coligação "Uma Nova Atitude para São Paulo" (PT-PCdoB-PDT-PTN-PRB-PSB), afirmou ter aceitado o desafio proposto por Kassab no debate realizado pela Rede Record no domingo e visitou, hoje, as obras Centro Educacional Unificado (CEU) Vila Formosa, na zona leste da cidade. O prefeito fez uma vistoria virtual no escritório da Secretaria Municipal de Infra-Estrutura e Obras e afirmou que a obra ficará pronta em quatro meses.Marta se disse "pasma e indignada", pois apenas a terraplenagem do terreno foi feita, e disse ser impossível que o CEU seja entregue em fevereiro, como promete o prefeito. "O que me deixou indignada foi que me informaram que ele tinha dado uma entrevista na parte da manhã, não no CEU Formosa, onde ele me desafiou a ir para ver a obra, mas num escritório fechado. Ele disse que era uma vistoria eletrônica, levando a população a acreditar que aquelas obras projetadas seriam o CEU Formosa", afirmou."Que caráter tem uma pessoa que faz um desafio e depois não vai responder ao desafio no lugar onde seria demonstrado o equívoco dele?", questionou. "Não, ele usou de um subterfúgio, foi num lugar fechado para mostrar uma imagem virtual de uma coisa que não existe e onde fui com toda a imprensa." Marta voltou a dizer que Kassab entregou 14 CEUs durante sua gestão, e não 25, mas afirmou que a questão não era apenas numérica. "O que interessa não é o número de CEUs. É o caráter", insistiu. "O fato de hoje é muito grave."Apesar da grande diferença de pontos entre ela e Kassab nas pesquisas de intenção de voto, Marta disse que o prefeito está "sentando na cadeira antes da hora", em referência às eleições de 1985, quando o então candidato Fernando Henrique Cardoso chegou a posar para fotógrafos sentado na cadeira do prefeito e acabou perdendo para Jânio Quadros. "A eleição não acabou, dia 26 é que vão se abrir as urnas, e o fato de hoje é muito grave." Sobre a derrota no primeiro turno, ela disse que "não houve erros" na campanha e que sempre achou que a disputa seria "voto a voto".Pedágio urbanoMarta ressaltou que a população não pode confiar no prefeito, que concorre pela coligação "São Paulo no Rumo Certo" (DEM-PR-PMDB-PRP-PV-PSC), e citou que vereadores da base aliada de Kassab já enviaram dois projetos à Câmara Municipal com o objetivo de criar o pedágio urbano. "Ele falou que ia fazer cinco corredores de ônibus. Nós fizemos dez e ele não fez nenhum corredor. A pessoa vai ficando mais clara para o eleitor."Marta disse que, se reeleger o prefeito, a população de São Paulo pode repetir o erro das eleições de 1996, quando elegeu Celso Pitta. "As pessoas foram enganadas e deram de boa-fé um cheque em branco para Pitta, que tinha uma propaganda enganosa, um padrinho poderoso. Depois as pessoas tiveram de ver sua cidade administrada por uma pessoa que, além de não ter competência, mostrou outras mazelas também", comparou.PropagandaA ex-prefeita admitiu que a propaganda que questionava se Kassab era casado e tinha filhos era "pesada, mas no limite". Ela defendeu que esse tipo de pergunta não invade a vida pessoal do candidato. "Eu não acredito que seja vida pessoal você perguntar se a pessoa é casada ou tem filhos. Estado civil é de domínio público. Não é uma coisa privada. Opção pessoal, se fosse perguntado, é de foro íntimo", disse."Mas o ''ressignificado'' que deram à propaganda foi assustador", afirmou ela, destacando que sempre batalhou contra preconceitos, pagou preços altos por isso e teve a vida invadida. "Eu tenho um currículo de pessoa defensora de direitos humanos."

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