Marta encontra líderes evangélicos e tenta aparar arestas

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, reuniu-se novamente hoje com representantes da igreja evangélica e nem mesmo a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu um clima ameno durante o evento, ocorrido em um hotel na zona sul da capital paulista. Após o discurso de Marta, que quis aparar as arestas, um dos pastores presentes a interpelou, lembrando que ela já havia processado um pastor da Assembléia de Deus do Brás - o pastor Samuel Ferreira - e questionando sobre sua relação com os evangélicos. E ela limitou-se a dizer, sem a ajuda de um microfone: "Se falar palavra de baixo calão contra a minha pessoa, é processado."O antigo secretário de governo de Marta Rui Falcão partiu em defesa da candidata. Segundo ele, o processo refere-se a uma enquete promovida por uma rádio evangélica, na qual não foi dado tempo de resposta à Marta. Entretanto ele assegurou que entrou em entendimento com o pastor, que teria se comprometido a não veicular mais a propagada contra a candidata, e o processo foi retirado. "Não há nenhuma contrariedade com o pastor Samuel Ferreira, a quem respeitamos muito, tampouco com a Assembléia de Deus", disse Falcão.Em seguida, foi a vez de Lula defender Marta. "Nenhum de nós tem procuração de Deus para ser o dono da verdade absoluta", ressaltou o presidente. Em seu discurso, Marta quis aparar as arestas com os evangélicos. "Temos alguma coisa em comum: a preocupação com os que sofrem, pelos que têm menos, pelos que precisam de ajuda." Ela lembrou que em sua gestão (2001-2004) foi dada isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) aos templos religiosos e criticou a atual gestão do prefeito Gilberto Kassab, do DEM, seu adversário na eleição, por não conceder o benefício na mesma dimensão. "O mínimo que a Prefeitura pode fazer é ajudar as religiões a ajudar."Marta prometeu pensar também em uma forma para identificar os templos religiosos frente ao rigor da Lei Cidade Limpa, criticada pelos evangélicos, e demonstrou apoio à idéia de voltar a fazer a Marcha de Jesus na Avenida Paulista. "Vocês podem acreditar que terão, como já tiveram em mim, uma parceira que os respeita", destacou Marta. "Louvado seja Deus!", finalizou. Apesar dos ânimos alterados em parte do evento, Marta recebeu demonstrações de apoio e bênçãos de diversos pastores e reverendos.

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