Marta e Kassab vão se enfrentar no 2º turno em São Paulo

Com 99% das urnas apuradas, a disputa em São Paulo confirma as pesquisas que levam os dois para 2º turno

da Redação

05 de outubro de 2008 | 22h50

A apuração de 99,4% das urnas confirmam o que as pesquisas já haviam sinalizado: os candidatos Gilberto Kassab(DEM) e Marta Suplicy (PT) vão se enfrentar no segundo turno pela vaga na Prefeitura de São Paulo. A surpresa ficou por conta da colocação dos candidatos: segundo a apuração da eleição deste domingo, 5, eles registraram 33,61% e 32,78%, respectivamente, diferentemente do que vinham apontando as pesquisas, sempre com Marta em primeiro lugar.   Ele registrou 2.139.475 votos e a petista, 2.086.429.    O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, mantém a terceira posição com 22,48%, que significa 1.430.993 votos e está fora, portanto, da disputa.   Veja também: Enquete: O resultado das eleições surpreendeu?   Especial: Veja o desempenho dos partidos nas capitais   Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  Cobertura completa das eleições 2008 Marta se diz 'satisfeita' em ter Kassab como adversário Perfil de Marta: ela trocou o divã pelo palanque Perfil de Kassab: Beto quer ficar mais 4 anos à frente da cidade Alckmin: de segundo colocado ao fim da linha 'Seguirei a decisão do PSDB no segundo turno', diz Alckmin Marta ataca Kassab e diz que vai comparar gestões no 2º turno Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo  Galeria de fotos dos candidatos à Prefeitura   Vereador digital: Depoimentos e perfis de candidatos em São Paulo   Tire suas dúvidas sobre as eleições   A petista, que já foi prefeita entre o período de 2000 a 2004, manteve a liderança em todas as pesquisas de intenção de votos divulgadas durante o período da campanha eleitoral. Já o atual prefeito deu uma reviravolta na campanha:começou a disputa em terceiro lugar, empatou com o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) em segundo, no meio da corrida eleitoral, e se isolou no posto a partir da pesquisa Ibope divulgada em 27 de setembro.   Desde o começo da campanha, tanto Kassab quanto Marta "colaram" suas imagens em figuras de peso: na do governador de São Paulo, José Serra, e na do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, respectivamente. O apoio de Serra, inclusive, agravou a crise do prefeito com Alckmin, e o de Lula, bem-vindo por candidatos até da oposição.   Logo no dia em que oficializou a sua candidatura, 29 de junho, Marta sinalizou o tom que iria adotar durante a campanha: atacar Kassab e deixar Alckmin de lado. O prefeito foi responsabilizado mais uma vez por Marta pela situação deixada pelo antecessor Celso Pitta. "Quando assumi, o sistema  municipal de saúde estava em frangalhos, em crise técnica, operacional e moral. Foi a herança que nos deixou o governo Pitta-Kassab. Sim. Do mesmo modo como se fala na gestão Serra-Kassab, temos que falar da gestão Pitta-Kassab. Kassab foi da turma do Pitta, ando as cartas como secretário e Planejamento", afirmara a petista, que repetiu este discurso por diversas vezes- inclusive sendo "copiada" porAlckmin mais adiante.   Kassab era vice de José Serra e assumiu a prefeitura quando o tucano se elegeu como governador em 2006. Desde então, o democrata vem afirmando que segue à risca o projeto de Serra e ressalta a sua parceria e "lealdade" com o então prefeito. A candidatura de Kassab foi conturbada. Embora muitos tucanos- remanescentes do governo Serra- apoiarem o nome do Democrata para São Paulo, Geraldo Alckmin não abriu mão da disputa, o que provocou um grande mal-estar, já que os partidos PSDB e DEM são tradicionalmente aliados em todos os âmbitos e não costumam ser adversários em corridas eleitorais. Durante sua campanha, Kassab foi acusado por Alckmin de "tucanizar" seu discurso, dizendo por diversas vezes que "o PSDB tem candidato, que sou eu".   Em 14 de junho, a candidatura de Kassab foi oficializada pelo DEM. Em entrevista exclusiva ao Estado, o prefeito afirmou que pretende se beneficiar de um paradoxo na campanha à reeleição: o PSDB será seu adversário e aliado ao mesmo tempo.   A despeito da candidatura do tucano Geraldo Alckmin, Kassab disse que vai manter na prefeitura todos os atuais secretários do PSDB. Mais do que isso, vai incorporar ao discurso a tese de que a aliança com os tucanos não acaba por causa das eleições e de que, portanto, eles são co-responsáveis por todos os atos da gestão municipal.     Como começou a disputa isolada em primeiro lugar, não era comum ataques de Marta a adversários. Mas o cenário mudou e ela mirou um alvo: Kassab. "Quando você ataca o líder, você espera que o líder te responda. Na hora em que ele te responde, você puxa ele para o seu nível. Na hora em que ela responde a ele, ela definiu : o meu oponente é ele e é tão forte quanto eu", comentou ao estadao.com.br o especialista em marketing político Emannuel Publio Dias, da Escola Superior de Publicidade e Marketing".         PSDB X DEM: briga de amigos   A ala do PSDB favorável à reeleição de Kassab conseguiu levar à convenção do partido, no dia 22 de junho, a tese de apoio ao prefeito, contra a candidatura de Geraldo Alckmin. Os kassabistas protocolaram no Diretório Municipal tucano 424 assinaturas - das quais foram consideradas válidas 417 - de 1,3 mil delegados da legenda com poder de voto na convenção; eram necessárias pelo menos 403.   Serra foi o responsável por demover o grupo de vereadores e tucanos com cargos na Prefeitura da idéia de levar à convenção o nome do prefeito para disputar com Alckmin.   Após quase seis meses de guerra no tucanato paulista, Alckmin foi sacramentado , na convenção do partido, o candidato do PSDB à Prefeitura. de São Paulo   A ala kassabista do PSDB, porém, boicotou a convenção. O grupo se reuniu a 100 metros do local e, com discursos inflamados, classificou a candidatura de Alckmin de "teimosia atrasada e inconseqüente".   No dia 14 de junho, o DEM confirmou o nome de Kassab como candidato e estremeceu as relações com o partido amigo.       Ibope: o sobe, desce e fica nas pesquisas   Na primeira pesquisa Ibope encomendada pelo Estado e TV Globo,no dia 18 de julho, Marta aparecia isolada com 34%, seguida por Alckmin com 31% e Kassab com 10%.   Quase um mês depois, Marta disparara com 41%, seguida pelos adversários: Alckmin com 26% e o prefeito com 8%. No dia 29 de agosto, uma semana o início da propaganda eleitoral, pouco mudara e Marta continuava liderando e os outros, dois candidatos, na mesma situação. Registraram 39%, 22% e 12%.   A reviravolta de Kassab começou em setembro, quando a pesquisa mostrou pela primeira ele e Alckmin empatados em segundo lugar, com 22%. A petista seguia liderando, mas sua vantagem diminuíra: registrou 35%.     Na pesquisa do dia 26 de setembro, Kassab se consolidou como segundo candidato na disputa: marcou 25% e abriu vantagem sobre o tucano, que registrou 20%. Marta ainda na frente pontuou com 35%.   Na pesquisa de ontem, Kassab registrou 27% e Marta, mateve os 35%.       Apoios: Serra X Lula   O presidente Lula participou de dois comícios na campanha de Marta Suplicy e em ambos criticou a oposição. No primeiro, falou sobre o uso de sua imagem em campanhas eleitorais até da oposição e reforçou sua posição. "Como presidente, eu não tenho que apoiar ninguém, mas numa campanha política só tenho um lado, que é o lado da Marta aqui em São Paulo", declarou.   No segundo, na zona Norte de São Paulo, criticou mais precisamente o DEM. "De dia me xingam na Câmara e me xingam no Senado. De noite, distribuem santinho do Lula nas cidades onde eles moram. Vocês vejam onde chega a hipocrisia", disse.     Já o governador José Serra evitou durante toda a campanha tomar uma posição às claras, por conta da disputa entre os dois candidatos, e não subiu no palanque de nenhum dos dois. No entanto, apenas oito dias após seu partido, o PSDB, confirmar a candidatura de Geraldo Alckmin à Prefeitura, o governador apareceu pela quarta vez ao lado do prefeito. E, pela segunda vez seguida, Serra "esqueceu" de Alckmin: em evento na Zona Sul, elogiou o democrata. "Nunca houve uma parceria tão estreita entre o governo do Estado e a Prefeitura". Entre 2005 e março de 2006, Serra foi prefeito ao mesmo tempo em que Alckmin era governador.         Horário eleitoral: Vale a pena ver de novo   20 de agosto: início do horário eleitoral na TV e no rádio para candidatos à Prefeitura. O espaço foi usado por eles para apresentar propostas e fazer promessas, mas principalmente para trocas de farpas e exibição de figurinhas importantes como apoio. Logo no primeiro programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi uma das principais estrelas do programa de Marta.   O prefeito tentou colar seu programa na imagem de Serra. Com o maior horário do horário eleitoral gratuito (8m44s), o programa mostrou, pelo menos quatro vezes, cenas de inaugurações na cidade com a presença de Serra e Kassab, dizendo que os dois, ao assumirem a Prefeitura, ajudaram a tirar a cidade do caos deixado pela antecessora, a petista Marta Suplicy. O programa do atual prefeito também fez uma ironia ao bordão utilizado por Marta, dizendo que é melhor o eleitor avaliar se "pára tudo para começar do zero, ou deixa o prefeito continuar a trabalhar".       O atual prefeito alfinetou a rival no rádio, no dia 28 de agosto, com críticas focadas principalmente na saúde: "Durante quatro anos, Marta não construiu nenhum hospital e agora promete três. Ela abandonou a saúde e agora promete clinicas mirabolantes", diz a locutora, destacando que a as propostas de Kassab são mais realistas. Já o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, destacou pontos de seu programa de governo e reafirmou que fará uma "campanha limpa", sem críticas aos rivais. "Isso aqui não é vale-tudo. É amor pela cidade, pelas pessoas", enfatiza. No dia seguinte, ela elevou o tom e disse que "não ia ficar levando paulada quieta".   No dia 9 de setembro,, ela o acusou de fazer propaganda enganosa e de se apropriar de obras do governo estadual, administrado pelo tucano José Serra e também do PT- acusação que fez durante toda a campanha, aliás. Ele respondeu: "Os CEUs são um projeto que se iniciou na gestão de Marta, aliás, cópia do projeto do ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola", disse ele. "Além disso, ela construiu 21 CEUs, nós estamos construindo 25."   No dia seguinte, classificou a gestão dele como medíocre. "Não tem visão nessa administração. Não tem capacidade de perceber o novo. Não tem ousadia. É de uma mediocridade a toda prova", disse Marta.   A petista atacou o partido do prefeito no dia 17 de setembro. "Essa eleição está muito de dois lados. De um lado tem o PT, com seus coligados, que olham para os que mais precisam. Do outro lado, estão os Democratas, esses 'demos', que fazem a maldade da catraca no ônibus, não olham para a periferia. E os tucanos, que são iguaizinhos", disse Marta, durante comício. No dia seguinte, disse que Kassab fazia "maldades".   No dia 24, ele diz "agradecer a Deus" por não ter copiado os programas da petista.     Na última propaganda na TV, dia 1 de outubro, o prefeito disse que pegou um caos na saúde, criticando a gestão da antecessora petista. " Nesse dois anos (em que esteve à frente da Prefeitura), não faltou nem dinheiro e nem medicação", comparou.   Na véspera da eleição, dia 3, voltou a ironizar a petista ao dizer, em nota, que ela quer "quebrar a Prefeitura".     Para este segundo turno,eles preparam "munição pesada" . O comando das duas campanhas já trabalha com a perspectiva de recrudescimento dos ataques, terminada a votação do domingo. Convencida de que o PT vai explorar o episódio em que Kassab expulsa de uma unidade de saúde o autônomo Kaiser Celestino da Silva, aos gritos de "vagabundo", a equipe do prefeito já organiza a reação. Coordenadores de sua campanha mandaram selecionar a gravação do bate-boca ocorrido em fevereiro de 2004 quando Marta, à época prefeita, discutiu com a dentista Simone Corrêa, que reclamava das freqüentes enchentes do Córrego Pirajuçara.     Sabatina Grupo Estado : melhores momentos   O Grupo Estado realizou sabatina durante uma semana com os principais colocados na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Marta Suplicy abriu a série e afirmou que teria feito o CEU Saúde, se tivesse sido reeleita em 2004. Mas, afirmou que, se for eleita em outubro deste ano, não vai levar a proposta adiante porque aprendeu que a saúde é uma construção e a cidade está cansada de ser desconstruída. "O Serra (atual governador do Estado e prefeito eleito em 2004, José Serra/PSDB) optou pelas AMAs e eu não vou parar, vou continuar", frisou, ao participar nesta manhã da primeira das sabatinas que o Grupo Estado promove com os candidatos que concorrem à maior Prefeitura do País.     Ela disse que pretende continuar com o projeto de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) porque aprendeu que não é possível desperdiçar tempo no setor da saúde. "Se eu queria fazer e não pude, vou continuar fazendo o que eles (Serra e Kassab) estão fazendo", disse.   A petista prometeu também não criar novas taxas para lidar com o problema do lixo. "A Prefeitura tem hoje R$ 25 bilhões, R$ 10 bilhões a mais do que quando eu administrei a cidade. Além de eu não precisar criar nenhuma taxa, é possível desonerar", disse. Ela afirmou que, se eleita, vai isentar cerca de 1 milhão de aposentados do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Hoje, 800 mil imóveis têm direito a esse benefício na capital paulista. Marta foi questionada sobre o que acha da intenção de seus adversários, que pretendem retomar na campanha a frase "Relaxa e Goza", dita por Marta a respeito dos atrasos e cancelamentos de vôos durante a crise aérea. "Mau para eles, porque eu acho que a população não gosta de baixaria desse tipo, de golpe baixo. Em relação, a isso eu me desculpei com a população. Quem apela para isso está se sentindo muito acuado, senão apresentaria propostas", respondeu.   Já o atual prefeito não poupou criticas à sua adversária. "Minha maior preocupação é quando a ex-prefeita faz essa pergunta, eu estou achando que ela vai quebrar a prefeitura de novo se ganhar eleição. Alguém precisa dizer para ela. Um orçamento de 22 bilhões de reais precisa ter recurso em caixa para pagar contas, toda semana ela faz essa pergunta", disse. A pergunta da adversária é sobre a existência de R$4 bilhões aplicados no mercado financeiro e não investidos na cidade.   O prefeito avaliou como melhor o transporte na sua gestão, ressaltou a criação de AMAs, disse que fez mais CEUs que a ex-prefeita e criticou ainda o aumento de impostos.   Se eleito, Kassab afirmou que não aumentará as taxas da cidade de São Paulo, como fez a petista. No entanto, disse que será necessário atualizar a cobrança do IPTU devido à valorização e desvalorização de certas regiões ao longo dos anos. "O IPTU é uma receita boa para pagar professores, valorizar servidores, não é questão de aumento é questão de receita", disse.           Texto atualizado às 00h54

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