Marta e Kassab priorizam troca de acusações em debate tenso

Petista tentava associar a imagem do prefeito à de Pitta e o candidato do DEM citou o mensalão para atacá-la

Andréia Sadi e Bianca Pinto Lima, do estadao.com.b,

12 de outubro de 2008 | 22h50

Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM) deram prioridade à troca de acusações durante o primeiro debate do segundo turno da TV Bandeirantes neste domingo, 12, do que à apresentação de propostas para a cidade. Marta levou munição e, ao atacar Kassab, recorreu a documentos que questionavam a gestão do atual prefeito. Ela tentou diversas vezes colar a imagem de Kassab a do ex-prefeito Celso Pitta, de quem ele foi secretário de Planejamento, e afirmou que há dois Kassabs nesta eleição, o real e o da propaganda.  Veja também:Blog: Leia os principais momentos do debate  Galeria de fotos do debate  Enquete: Quem venceu o debate?   'Eu prometo' traz as promessas de Marta e Kassab Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos  O candidato do DEM atacou as propostas de Marta e até tentou associar a ex-prefeita ao escândalo do mensalão. Também insistiu em dizer que a ex-prefeita deixou São Paulo endividada. Kassab ironizou o projeto da petista de implantar internet gratuita em toda a cidade: "É um factóide que acabará não saindo do papel". Marta rebateu e disse que Kassab "tem cabeça muito pequena": "O orçamento para o próximo ano é de R$ 29 bilhões, o que são R$ 64 milhões(custo estimado pela petista para colocar o projeto em prática)?". Marta explicou que serão colocadas antenas nos prédios públicos da cidade, ao todo 3 mil, e que os computadores em um raio de 500 metros vão captar o sinal. Ainda no ataque, Kassab comparou sua gestão com a da prefeita na área da saúde: "A ex-prefeita investiu R$ 1,5 bilhão na saúde. Eu investi R$ 3 bilhões. E no ano que vem, 20% do Orçamento, que já foi enviado para Câmara". Ele voltou a acusar a petista de ter deixado a Prefeitura falida. Segundo ela, R$ 2,5 bilhões estavam em caixa quando saiu. Ela voltou a afirmar que recebeu a cidade quebrada do ex-prefeito Celso Pitta, de quem Kassab foi secretário de Planejamento de Pitta nos dois primeiros anos da gestão. "Comecei a reconstruir a cidade. Tive que começar do nada", disse. Marta se exaltou quando Kassab ganhou direito de resposta, e ela não.  Pedágio urbano e taxas Marta acusou Kassab de ter um novo projeto de pedágio urbano tramitando na Câmara de São Paulo, o que o prefeito negou. "Não existe um segundo projeto que proponha a criação dessa taxa. Não haverá pedágio urbano enquanto eu for prefeito", prometeu. Ela insistiu: "Por que não tirou o projeto? O pedágio urbano não vai dar certo." Kassab aproveitou o assunto para lembrar as taxa criadas na gestão Marta. "A ex-prefeita tinha na cobrança de taxas a sua maior virtude. Não criaremos novas taxas em nossa gestão", afirmou. Tanto Marta Suplicy como Gilberto Kassab se comprometeram a não aumentar a passagem de ônibus em 2009. A petista também afirmou que não criará mais nenhuma taxa caso seja eleita. "Não vou criar taxa de nada mais nessa cidade", disse.  Kassab e Pitta Marta voltou a atacar a ligação de Kassab com Pitta: "Eu acho importante saber com quem anda, sim. Eu ando com Lula e você com (Paulo) Maluf e Pitta. Eu tenho orgulho disso (com quem ando). Assuma a sua trajetória, eu não tenho problema em assumir", disse. Marta voltou a dizer ainda que recebeu a cidade quebrada da gestão Pitta e disse que o que fez a Prefeitura crescer no governo de Kassab foi o presidente Lula. "A prefeitura melhorou não foi por causa disso, foi por causa do governo Lula, que fez todas as prefeituras crescerem".  CEU profissionalizante Marta recorreu a documentos para dizer que a proposta de Kassab de criar CEU profissionalizante foi vetada por ele em 2006. O projeto era do vereador petista José Américo Dias e propunha utilizar o espaço dos CEUs no período da noite - que fica ocioso - para cursos técnicos. Na sua campanha durante o primeiro turno, Kassab apresentou projeto nos mesmos moldes do que barrou, como acusa a candidata do PT.  "Graças a Serra, estamos implantando 16 mil vagas em cursos técnicos, conseguimos acabar com as escolas de lata, salas de lata". A candidata não se convenceu e atacou: "você teve a chance de fazer Kassab, durante esses anos (na prefeitura). Kassab, então, rebateu: "Você também ficou na Prefeitura e não só não fez, como fechou 8(CEUS)."  Licença-maternidade O candidato Gilberto Kassab se atrapalhou na hora de dar a tréplica a uma pergunta de Marta Suplicy sobre veto a um projeto de licença-maternidade a funcionárias públicas. Marta voltou a dizer que há "dois Kassab": um que veta e um que propõe um projeto durante a campanha. Na hora de responder, o candidato ficou em dúvida: "Agora eu pergunto?". Foi interrompido pelo mediador, o jornalista Boris Casoy: "Não, agora o senhor tem direito à tréplica". Kassab, então, respondeu: "Queria registrar que tem tanta coerência que o projeto foi encaminhado. A senhora investiu R$ 1 bilhão e meio na sua gestão, eu investi R$3 bilhões e meio. Quantas pessoas o seu programa 'Nascer Bem' atendeu?" O prefeito disse que vetou o projeto porque era "inconstitucional". "O próprio veto explica, porque só o Executivo pode originar despesas. Estou muito tranqüilo". A petista não se convenceu e apelou para o público feminino. Bilhete Único A ex-prefeita Marta Suplicy acusou a ação de Gilberto Kassab de aumentar o tempo do Bilhete Único para o período de três horas de "eleitoreiro". "Eu combati (as fraudes na catraca), e graças a isso, nós podemos aumentar o tempo", disse. A ampliação do bilhete único, que passou a valer por três horas e se estendeu ao metrô e ao trem, é uma das marcas da gestão Kassab.  CEU  Kassab atacou Marta ao dizer que ela "errou" ao criar 21 CEUs antes de eliminar as escolas e salas de lata. Em resposta, ela disse que o atual prefeito deu uma "escorregada". "Você acabou de dar uma escorregada. Ué, eu não só fiz 21 CEUS, como comecei a tirar escolas de lata. Essa é a verdade", rebateu. Marta disse ainda que vai fazer a rede CEU, "que a administração de Kassab não entendeu, que é dar cultura e lazer pra criança que não tem".  Ela o criticou ainda por demorar a construir os CEUS em São Paulo. Segundo ela, o PSDB e o DEM sempre votaram contra o projeto, e, "constrangidos", estão tentando fazer agora. "O mais importante é que ele não acredita no CEU. Demorou dois anos e meio para fazer, poderia ter feito antes". Kassab retrucou ao dizer que nunca foi contra os CEUs, mas sim contra a prioridade a eles e não a acabar com as escolas de lata.

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