Marta e Kassab polarizam discussão no terceiro bloco

O terceiro bloco do debate da noite de hoje promovido pela Rede Bandeirantes, a candidata Marta Suplicy (PT) e o prefeito Gilberto Kassab, candidato do DEM, polarizaram a discussão, defendendo as respectivas gestões e trocando farpas. Questionado sobre parcerias privadas na saúde, Kassab ressaltou "que não é qualquer entidade privada que faz parceria, são entidades idôneas como USP, Unifesp"."Graças a essas parcerias implantamos 115 Amas, 12 hospitais. Hoje, segundo pesquisas, 30% da população entendem que o nosso serviço é ótimo ou bom, 70% ainda não, mas no início da nossa gestão 0% achava", acrescentou. Ele lembrou ainda que está amparado por uma liminar para essa ação, "que, para a cidade, é muito importante como modelo de parcerias."Marta replicou às afirmações de Kassab dizendo que manterá a fiscalização e o controle. "Em relação ao que diz o Kassab, nós temos a sensação de que nós estamos vivendo num mar de fantasia, porque quem está precisando da saúde sabe que não é um mar de fantasia. Nós vamos criar as policlínicas. As AMAs ajudam, mas não resolvem e nós vamos melhorá-las." Kassab replicou: "As policlínicas já existem, assim como Mãe Paulistana, Remédio em Casa, informatização do sistema, eu conheço a cidade real e, infelizmente, a sua gestão não foi aprovada, você não foi reeleita principalmente porque foi muito mal na saúde." Na troca de farpas entre Marta e Kassab, a platéia de petistas e democratas deu demonstrações de apoio para os respectivos candidatos. Quando o mediador Boris Casoy devolveu a palavra a Kassab, os petistas reclamaram, fazendo com o que o jornalista levasse a questão para a comissão de juristas para avaliar se Kassab teria direito de resposta, o que foi rejeitado. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), comentou, antes, com petistas: "Ele (Kassab) não vai ter (direito de resposta)." O deputado estadual Rui Falcão, do PT, atacou Kassab. "Ele planejou bem as escolas de lata", disse, citou também a existência das "AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) de lata".MalufO candidato Paulo Maluf (PP) afirmou que, na gestão dele, "a saúde foi aprovada e agora tem problemas em todos os setores", referindo-se ao Plano de Atenção à Saúde (PAS) e respondendo a pergunta do jornalista José Paulo de Andrade. Maluf afirmou que o PAS foi avaliado em pesquisas, quando ele saiu da Prefeitura, "pelo Estadão com 90% de aprovação, pela Folha com 80% e pelo Ibope, com 92%".Já o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) disse entender que o caminho da saúde é diferente. "O SUS (Sistema Único de Saúde) tem o dever de atender bem a população. A nossa proposta é reforçar a saúde da família, contratar 1,5 mil médicos, melhorar o atendimento primário, construir centros de exames, mais dez centros para idosos e hospitais em Parelheiros, Brasilândia e na região de São Mateus. Como governador, fiz nove."Quando Alckmin terminou de falar, Maluf replicou dizendo que ele Alckmin precisa "não confundir sua administração com a do Covas." "Quem fez a maioria dos hospitais foi o Covas", acrescentou. Maluf também disse que "construir é o corpo, precisa da alma", dizendo que não se resolve a questão da saúde apenas edificando prédios.Questionado sobre o uso dos recursos de campanha, o candidato Renato Reichmann (PMN) disse que é uma campanha "que não exige uma grande equipe, não é uma campanha de grande porte". "Conto muito com o apoio dos candidatos a vereadores. Basicamente, no município dá pra fazer campanha com pouco dinheiro."Moura replicou que compreende a situação do candidato. "Nós temos um partido pequeno, com fundo pequeno e não temos alternativos. Fora isso, esses recursos que vocês estão declarando, você consegue dizer de onde vieram. Mas eu discordo. Para ser prefeito, tem de ter muito dinheiro, não se elege prefeito com pouco dinheiro." Reichmann respondeu a Moura, afirmando que o financiamento da iniciativa privada aos partidos tem de ter limite. "Alguém que dá R$ 1 milhão para um campanha quer algo em troca, deve haver limites", disse. Questionado sobre a possibilidade de trazer de volta a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), o candidato Ivan Valente (PSOL) disse que a empresa foi "corroída por dentro e depois desmontada", mas que isso não significa que uma companhia pública não possa ser "criada, fiscalizada e dê certo." "É preciso regular, com controle da população, ter empresas públicas que sirvam ao interesse público", acrescentou.A candidata Sonia Francine (PPS), a Soninha, por sua vez, replicou ao posicionamento de Valente lamentando a "desmunicipalização" do transporte. "Mas melhorou muito a velocidade, é um processo que deixa um lastro de processos trabalhistas. Agora, não seria viável estatizar de novo transporte. E tem uma vantagem de agilidade na iniciativa privada, mas eu concordo com a o controle público." GafeNo bloco, Casoy cometeu uma gafe, ao chamar o candidato Ciro Moura, do PTC, de Ciro Gomes, ex-ministro e ex-candidato a presidente da República. Boris pediu desculpas e Moura reagiu com bom humor.

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