Marta diz 'taxas nunca mais' e critica Kassab por IPTU

Segundo a petista, atual prefeito reduziu isenções do imposto territorial criadas por ela em sua gestão

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

13 de agosto de 2008 | 12h47

A candidata à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy (PT) afirmou nesta quarta-feira, 13, que não vai aumentar as taxas para a população da cidade. "Deus me livre, nunca mais", disse a ex-prefeita em evento na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). "A única que pode garantir que não vai aumentar taxas sou eu, pela própria experiência negativa que tive."   Veja também: Perfil de Marta Suplicy Pesquisa Ibope - São Paulo Guia do eleitor esclarece dúvidas sobre o pleito   No mesmo evento, há dois dias, o atual prefeito e também candidato Gilberto Kassab (DEM) arrancou risos da platéia ao lembrar os tributos criados pela ex-prefeita, que renderam, inclusive, o apelido de "Martaxa".   Sobre as críticas a respeito do aumento das taxas em seu governo, ela explicou que, com a implementação do IPTU progressivo, 62% dos habitantes da cidade passaram a pagar menos imposto. O restante, porém, teve um aumento grande, devido à valorização do valor de seus imóveis. "A minha experiência mostrou que quando você mexe no bolso do cidadão, você precisa ter cuidado redobrado", disse.   Ela citou também a isenção de 1 milhão de imóveis de até R$ 50 mil do IPTU realizada em sua gestão. E criticou a gestão do atual prefeito por, segundo ela, ter reduzido "brutalmente" essas isenções, em cerca de 200 mil casas. A afirmação vai contra um dos principais argumentos da campanha de Kassab, a de que ele aumentou a arrecadação da cidade apenas pelo endurecimento da fiscalização, e sem a elevação de taxas.   Marta afirmou que a situação atual da cidade permite pensar em uma redução da carga tributária, e disse que seu plano de governo inclui uma redução do Imposto sobre Serviços (ISS). Na hora de detalhar a idéia, ela afirmou que "avançou que essa possibilidade será uma das áreas. Quanto, como, tal, se vai ser só essa, ainda não temos batido o martelo", disse.   Centro   Ela citou ainda o empréstimo feito durante seu governo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de US$ 100 milhões, com contrapartida da Prefeitura, para revitalizar o centro da cidade. Segundo ela, o dinheiro foi aprovado no fim de sua gestão, mas poderia ser utilizado pela gestão posterior. "Eles só usaram US$ 4 milhões. E o pior é que o governo paga multa por não utilizar o dinheiro", disse. "Foi muito decepcionante, porque deixamos um recurso grande e ele não foi utilizado."   Durante sua exposição, Marta criticou a gestão de Gilberto Kassab por diversas vezes. Ainda sobre o centro da cidade, afirmou que o projeto para a Cracolândia foi deixado "pela metade". "Tem que terminar o que eles deixaram sem fazer, já está tudo desapropriado lá", disse.   Além disso, criticou a atuação da Guarda Civil Metropolitana na cidade, que, segundo ela, "hoje bate nas pessoas, tem uma educação péssima, não está se comportando como Guarda Metropolitana". "Nós criamos uma Secretaria de Segurança para encaminhar bem a GCM, mas ela foi desativada na gestão atual, e a Guarda passou para o comando da Polícia Militar. A Guarda não tem nada a ver com a Polícia, ela tem ação preventiva", disse.   Procurada, a assessoria de Gilberto Kassab, respondeu às afirmações de Marta: "A campanha de Kassab afirma que Marta deveria ter vergonha de falar em taxas e impostos depois de ter saído da prefeitura com o apelido de 'Martaxa'. Kassab acabou com a taxa do lixo e da iluminação para quem não tem o serviço. Permitiu que o cidadão tenha descontos no IPTU com a Nota Fiscal Eletrônica. E fez alterações na cobrança do IPTU para dar mais justiça social ao imposto, corrigindo distorções provocadas pela falta de planejamento e competência administrativa da gestão de Marta. Quem tem mais de um imóvel passou a pagar, como é justo."   Lembo   O ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo (DEM), esteve presente na palestra de Marta Suplicy e elogiou a exposição da ex-prefeita. Ao ser questionado sobre se o discurso teria o feito mudar de idéia sobre seu voto - Lembo já declarou que apóia o candidato de seu partido, Kassab - ele afirmou: "Não. Eu tenho que manter a coerência, a gente tem que ser coerente na vida".   No mesmo evento, o candidato do PCB, Edmilson Costa, também apresentou suas propostas para a Prefeitura de São Paulo.

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