Marta diz que Serra é incapaz de negociar com policiais civis

A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, acusou nesta sexta-feira o governo do Estado de ser incapaz de negociar com grevistas e se disse indignada com as declarações do governador José Serra. Marta se referia à greve dos policiais civis de São Paulo, que já dura mais de um mês, e ao conflito com policiais militares, quinta-feira, nas redondezas do Palácio dos Bandeirantes, que deixou mais de 20 feridos. O governador Serra, que apóia Gilberto Kassab (DEM) à prefeitura da capital paulista, disse que houve motivação eleitoral na manifestação. "Eu fiquei pasma com aquilo. Essa é uma reivindicação dos delegados, das polícias desde há bastante tempo. Querer culpabilizar um partido político por uma incapacidade de negociação, eu não esperava isso do governador", disse Marta após discurso a taxistas na Vila Mariana, zona sul da capital. Serra afirmou que a manifestação dos policiais civis foi conduzida por interesses políticos de influenciar o segundo turno das eleições. O governador nominou a participação da CUT e da Força Sindical. Em resposta, Marta disse que é esperada a presença de sindicatos no momento de uma reivindicação, considerando necessária a participação da CUT e da Força Sindical na mesa de negociações. "Pessoas que são ligadas à CUT, à Força Sindical, estarem presentes no momento da negociação salarial de suas categorias me parece que é o mínimo que uma pessoa, que entende de democracia, de negociação, deve saber", disse a candidata petista. "Eu fico muito indignada como esse tipo de acusação". O vice de Marta, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), classificou a declaração de Serra como "indecente". "Ele podia explicar que não tinha condição de dar o reajuste. Que compreendia a insatisfação mas que podia negociar para fazer alguma coisa decente. E não dizer que a manifestação é política, porque isso é uma coisa indecente", afirmou Aldo Rebelo. Policiais civis e militares se confrontaram na quinta-feira durante manifestação por reajuste de salário. No conflito, policiais militares usaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para intimidar os policiais civis que tentavam furar uma barreira e seguir para o Palácio dos Bandeirantes. "Nós tivemos quatro anos de prefeitura e momentos muito difíceis, mas nós nunca usamos a força. Tínhamos uma mesa de negociação permanente", disse Marta, que evitou comentar se o episódio entrará em seus programas eleitorais. "Se entra ou não, isso é outra situação". CASSAÇÃO O coordenador de campanha de Marta Suplicy, deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), confirmou representação na Justiça Eleitoral para pedir a cassação do candidato-prefeito Gilberto Kassab (DEM). A acusação é que Kassab usou a máquina pública municipal a seu favor em evento no qual anunciou um investimento de 198 milhões de reais da prefeitura na construção do metrô. "Não é possível que o Tribunal não enxergue essa evidência. A máquina pública municipal e a máquina pública estadual estão sendo usadas na campanha eleitoral", disse Zarattini. "Foi um evento feito pela prefeitura com stand, com solenidade, onde foi supostamente entregue um cheque e isso é simular inauguração de uma obra. A lei prevê que quando se utiliza recursos públicos para promoção de uma candidatura, configura-se um crime eleitoral. E a punição é a cassação", acrescentou. (Reportagem de Alice Assunção)

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