Marta diz agora que 'fará diferença' por Haddad

Após almoçar com Lula, senadora promete trabalhar por candidato petista e se coloca à disposição para gravar, ir a comício, 'para tudo'

JOSÉ MARIA TOMAZELA, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h10

Após conversar por duas horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, em São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) anunciou sua entrada na campanha de Fernando Haddad (PT). Marta afirmou que entra na campanha para "fazer diferença" e disse estar à disposição não apenas para gravar para os programas de TV, mas também para participar de agendas públicas com Haddad.

A ex-prefeita estava afastada da campanha petista desde que foi obrigada por Lula e pela presidente Dilma Rousseff a desistir da candidatura em favor de Haddad, há dez meses. O último encontro com o ex-presidente havia sido em abril, durante a inauguração de um Centro Educacional Unificado (CEU), em São Bernardo do Campo (SP).

Ontem, um almoço à base de peixe e legumes no Instituto Lula selou a reconciliação, mas ela preferiu dizer que esperava o momento certo para entrar na disputa, e se pôs à disposição do partido "para gravar, para ir a comício, para tudo". "Eu dizia que o Haddad faria a parte dele e que quando fosse importante eu iria entrar. Agora é a hora."

Petistas ouvidos pelo Estado avaliaram que Marta correria enorme risco político se Haddad vencesse sem que ela tivesse participado da campanha, e que a senadora entra nesse momento na disputa porque colherá os louros de uma esperada subida do candidato nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo a senadora, Lula definirá com o publicitário João Santana a forma de participação. O ex-presidente quer que Marta converse com Haddad sobre os problemas da cidade. A senadora afirmou em seu Twitter que conversará com Santana e a coordenação da campanha para acertar as agendas. "Acho que a gravação é importante, mas também vou a comício. Até dei sugestão de alguns lugares em que acho importante ter comício."

Após se despedir de Marta, Lula ligou para Haddad. Animado, relatou que o clima da conversa fora "ótimo" e que a senadora estava "animada".

Apelação. Marta criticou o candidato do PSDB, José Serra, e disse ver a possibilidade de um segundo turno nas eleições paulistanas entre Haddad e Celso Russomanno (PRB). "É capaz de ir Russomanno e Haddad porque tem candidato que está caindo", disse, numa referência ao tucano. Respondendo a Serra, que usou o programa de rádio para chamar de "bilhete mensaleiro" a proposta petista de ampliar as possibilidades de uso do bilhete único do transporte coletivo - adotado na gestão dela -, a ex-prefeita afirmou que o candidato está "apelando para tudo" porque está em queda nas pesquisas. "Vai ter de apelar porque o bilhete mensal é maravilhoso."

Marta não quis responder sobre a aliança do PT com o PP, do deputado Paulo Maluf, seu desafeto. Em junho, ela chegou a dizer que fazer campanha com Maluf seria um "pesadelo".

A campanha de Haddad marcou para o dia 4 de setembro, no Sindicato dos Bancários, na capital, um ato com a participação de Lula para "animar a militância". / COLABOROU FERNANDO GALLO

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