Marta 'deveria ter desautorizado sua campanha', diz Kassab

Propaganda da petista que faz insinuações sobre vida de Kassab; em sabatina, ele disse não ser homossexual

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

14 de outubro de 2008 | 15h30

O candidato do DEM, Gilberto Kassab, disse nesta terça-feira, que a candidata Marta Suplicy deveria ter desautorizado a sua campanha a veicular a propaganda que questiona sua vida pessoal. "Ela é a candidata. Deveria ter desautorizado a campanha a fazer isso, essas insinuações maldosas". Na última segunda, Marta disse, também na sabatina do jornal Folha de S. Paulo, que não sabia e não viu a propaganda que questiona se Kassab é casado ou tem filhos. Segundo ela, foi "decisão do marqueteiro".   No fim da sabatina, Kassab foi questionado pelos jornalistas sobre a sua opção sexual, se era homossexual: "Não", respondeu, ruborizado.     Veja também: Lula reprova comportamento de Marta em ataques a Kassab Enquete: estado civil do candidato interfere no voto? Blog: Leia os principais momentos do debate na Bandeirantes  Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo  'Eu prometo' traz as promessas de Marta e Kassab  Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras  Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos   "Essa questão não está em análise mas sim a campanha baixar o nível. A campanha fazer insinuações maldosas e levianas e confundir o eleitor. A ex-prefeita terá grande constrangimento daqui para frente na sua vida pública. Ela é candidata e deveria ter desautorizado a campanha a fazer isso. É insinuação maldosa. Não acredito que ela não sabia, ela não está preparada para ser candidata", disse em sabatina.   O tema vem sendo discutido desde que o comando da campanha de Marta optou por divulgar um comercial de TV que trata da vida privada de Kassab. Diante dos protestos de eleitores que viram preconceito na propaganda de Marta, perguntando se Kassab é casado e tem filhos, a equipe petista avaliou na última segunda que era melhor recuar para evitar mais desgaste.   A propaganda dividiu o partido, provocou protestos de eleitores e mais um problema para a campanha petista, que já vive situação difícil. Em conversas reservadas, dirigentes do PT definiram a nova estratégia como "um tiro no pé". Nas pesquisas de intenção de voto, Kassab está a frente de Marta por uma diferença de 17 pontos.   O primeiro sinal de que o comercial causou fissuras no PT partiu do Comitê Pró-Marta Prefeita formado por gays, lésbicas, bissexuais e travestis. Em nota distribuída ontem pela manhã, o comitê classificou a propaganda de preconceituosa e moralista. Também pediu "com veemência" que o comercial não seja mais exibido.     Kassab disse ainda ter certeza de que tanto Lula quanto Serra vão investir no metrô em São Paulo, independentemente do candidato eleito. "Afirmo com maior tranqüilidade que se Lula tem condição de investir na cidade em metro, ele investe indiferentemente de quem for o candidato. Assim como o Serra. Só falta alguém achar que ele vai deixar de investir se a marta ganhar eleição", ironizou.   Ele negou também ter participado da campanha "Reage, Pitta", como acusa sua adversária. "Nunca participei do movimento,  como ela colocou. Os problemas dele não tinham começado. E depois, como toda a população, afastei-me", disse.   Reavaliação   As reações negativas estão levando o PT a reavaliar o tom da campanha daqui para a frente. Em reunião realizada ontem, integrantes dos partidos que apóiam a coligação de Marta reafirmaram que é preciso demarcar trajetórias e biografias. O difícil será definir a dose de agressividade.   A idéia é nacionalizar a disputa, pegar carona na popularidade do presidente Lula e exibir as "forças políticas" que apóiam os dois candidatos. "O tom vai ser duro e a linha de confronto vai continuar", garantiu o vereador eleito Jamil Murad (PC do B), que participou da reunião.   A estratégia, porém, prevê a substituição dos ataques pessoais pela ênfase no duelo político. "Vamos mostrar que do lado de Marta estão as forças políticas que puseram o Brasil na rota do desenvolvimento e, de outro, as que atolaram o País", disse Murad.   (Com Guilherme Meirelles, Gabriel Manzano Filho, Vera Rosa e Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo)   Texto atualizado às 16h50

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