Marta atribui rejeição ao cargo que ocupou, e não ao seu nome

Ex-prefeita e candidata petista reclamou do 'excesso' de críticas da imprensa e acha difícil vencer no 1º turno

Anne Warth e Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

01 de setembro de 2008 | 14h03

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, atribuiu nesta segunda-feira, 1º, o alto nível de rejeição da população em relação à sua candidatura à natureza do cargo, e não ao seu nome. "Eu acho que exercer o poder na cidade não é fácil, principalmente na prefeitura, quando você tem contato direto com todos os problemas da cidade", disse, em sabatina realizada pelo Grupo Estado. O vídeo da sabatina pode ser visto na TV Estadão (clique aqui).  Veja também:Especial: Perfil de Marta SuplicyMarta chora ao dizer que sofreu ao perder eleição para Serra Marta descarta pedágio urbano e rodízio maior em São PauloGaleria de fotos da sabatina com Marta Suplicy  Blog: confira as principais declarações de Marta na sabatinaVeja gráfico com a última pesquisa Ibope/Estado/TV GloboVereador digital: Conheça os candidatos à Câmara de SP As regras para as eleições municipais  Tire suas dúvidas sobre as eleições de outubro Marta reclamou ainda do excesso de críticas feitas pela imprensa durante sua gestão. "Crítica é bom, mas só crítica não", disse. Ela ressaltou que a população tem que ter direito à informação. "O administrador tem que usar da propaganda para mostrar o que faz. Mas não acho que usei muito da propaganda, usei informação", disse. Sobre os gastos de publicidade de sua gestão, cujos valores são muito semelhantes aos da atual Prefeitura, Marta os justificou dizendo que Kassab não tem a imprensa trabalhando contra seu governo. "Eu tinha imprensa contra. Eles têm a favor", respondeu. Em seguida, a candidata citou que a rubrica inclui gastos como de divulgação contra a epidemia da dengue. Ela comentou ainda a possibilidade de vencer as eleições no primeiro turno. "Adoraria, mas acho que não é possível", disse. E afirmou que sua campanha quer fazer propostas para atrair os indecisos (7% na última pesquisa Ibope). "Não só os indecisos, mas queríamos os votos dos eleitores dos outros candidatos", disse. Finanças  Marta afirmou que o aumento da arrecadação da capital paulista não se deve à gestão da atual Prefeitura, mas ao bom momento econômico do País e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda sobre a atual gestão, ela fez questão de lembrar que Gilberto Kassab (DEM) foi secretário de Planejamento da gestão Celso Pitta. "Quando foram planejadas e criadas as escolas de lata", alfinetou. Ao comentar o bom resultado financeiro da cidade, destacou: "Esse salto não foi dado por eles, é o que todos os municípios estão tendo." E continuou: "Eu diria que o resultado que a cidade tem hoje é fruto da gestão macroeconômica do presidente Lula", acrescentou, ressaltando ainda que a informatização dos sistemas permite hoje que a fiscalização seja mais eficiente, com menos chances de sonegação. Marta ressaltou que para governar a cidade é preciso fazer negociações com a Câmara dos Vereadores. Do contrário, disse ela, não é possível aprovar os projetos de interesse da Prefeitura. "Na política é preciso fazer negociações. O problema não é colocar parceiros x ou y, é fiscalizar esses parceiros", citou. "Kassab também consegue aprovar seus projetos, e isso não é um desmerecimento", acrescentou. Rodízio de caminhões Indagada se acredita que o escândalo dos grampos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) pode ter impacto negativo sobre sua candidatura, Marta limitou-se a responder "não". Marta disse que irá manter o rodízio de caminhões na cidade de São Paulo, mas que irá modificá-lo. "Sou bastante crítica em relação ao jeito como foi feito. Tinha que ser feito, mas não improvisado como foi. Não foram feitos os estudos necessários", opinou. "Vai ter mudanças, evidentemente. Tenho conversado com setor de transporte, vários encomendaram camionetas. Para cada caminhão grande, são seis pequenos, e isso começa em novembro", disse, preocupada com o impacto que isso poderá ter no trânsito da capital paulista. Marta disse que adoraria ganhar a eleição no primeiro turno. "Acho muito difícil levar no primeiro turno. Adoraria, mas acho muito difícil", admitiu. Em relação a seu slogan de campanha, "Uma Nova Atitude para São Paulo", Marta disse que "nova atitude é fazer". Questionada sobre a semelhança com as frases do ex-prefeito Paulo Maluf (PP) e também candidato, respondeu: "O que ele fez, eu não faço". Mais pobres Marta disse que irá governar para toda a população da cidade, mas com atenção especial para os mais pobres. "Aos que moram em bairros que tem tudo e não usam serviço público, eu gostaria de lembrar que não dá para morar numa cidade com tanta miséria como temos hoje", afirmou.Na sua avaliação, investir para melhorar o padrão de vida dos mais pobres é investir para toda a cidade. "No meu bairro, Jardim Europa, tem tudo. Não dá para achar que precisa colocar o mesmo dinheiro que em um bairro pobre como Vila Bela", explicou. "Acho que a cidade tem que ser pensada como um todo. A cidade produz riqueza, mas mais para uns do que para outros, e esses outros têm que ser olhados pelo serviço público." Em relação ao déficit habitacional da capital paulista, Marta disse que é preciso construir 800 mil residências. Ressaltou que pretende adotar ações como a regularização fundiária na cidade, urbanização de favelas e mutirões. No final da sabatina, disse que o governo federal tem contribuído para este fim, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de linhas de crédito especiais para segmentos mais carentes. Além disso, destacou que no centro de São Paulo há muitos imóveis inadimplentes e abandonados que podem ser utilizados para resolver o problema.  Outras sabatinas As sabatinas do Grupo Estado têm transmissão ao vivo pela TV Estadão. O Portal Estadão divulgará flashes noticiosos e disponibilizará a íntegra dos vídeos, para consulta posterior. O segundo convidado será o ex-governador e candidato do PSDB Geraldo Alckmin. Pela ordem, virão em seguida o prefeito Gilberto Kassab (DEM) na quarta-feira, Paulo Maluf (PP) na quinta, Soninha Francine (PPS) na sexta e Ivan Valente (PSOL), que fechará o ciclo na segunda-feira, dia 8. 

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