Marta adia para agosto participação na campanha de Haddad e frustra PT

Excluída da disputa por imposição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a senadora Marta Suplicy (SP) só pretende entrar na campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo em agosto, quando começa a propaganda eleitoral de rádio e TV. Até lá, ela deverá fazer corpo mole e irritar ainda mais Lula, Haddad e a cúpula petista.

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2012 | 04h19

O silêncio é a arma de Marta para escancarar sua insatisfação com a forma como a campanha do PT vem sendo conduzida na maior cidade do País, num confronto definido como "prévia" do embate com o PSDB pela Presidência da República, em 2014.

"Eu já falei tudo o que tinha de falar com o meu gesto", disse Marta, numa referência à sua ausência no ato de lançamento da candidatura de Haddad, no sábado. "Estou tranquila. Estou onde sempre estive", emendou, negando rumores espalhados por antigos companheiros de que pensa em deixar o PT.

A "rebeldia" da senadora que desafia Lula causou perplexidade em dirigentes do partido e integrantes do governo, além de abalar Haddad. Empacado nas pesquisas com 3% das intenções de voto, o ex-ministro da Educação está em apuros e aposta tudo na ajuda de Lula e na propaganda política - que começa em 21 de agosto - para desbancar o adversário do PSDB, José Serra.

Nos últimos dias, Marta ignorou os incessantes telefonemas de petistas que a procuraram e cultivou o mistério. "Há tempo para falar e tempo para silenciar", filosofou a ex-prefeita. Fã de Fernando Pessoa, ela própria alimentou especulações sobre seu destino político ao citar o poeta e dizer que "há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo".

Alvo de críticas e isolada no PT, Marta tem afirmado, em conversas reservadas, não ver sentido em carregar Haddad a tiracolo na periferia para pedir votos. Avalia que pode provocar até mesmo uma situação constrangedora, pois eleitores devem perguntar por que não é ela a candidata. Ao menos por enquanto, a senadora quer ter participação econômica na campanha, se possível reduzida a mensagem gravada para o horário eleitoral.

Depois de dizer ao Estado que Marta comete "grave erro político" ao não auxiliar Haddad no momento em que ele mais precisa, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, amenizou o tom. "Marta é liderança de primeira grandeza do PT. Quando ela se sentir preparada para entrar na campanha, terá agenda à sua altura", contemporizou o deputado.

'Dedaço'. Nas fileiras do PSDB, porém, as desavenças no PT são cada vez mais exploradas. "O isolamento político de Haddad é consequência do dedaço do ex-presidente Lula, que impôs um nome dele contra alguém que era a candidata natural do PT", alfinetou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). "Se a Marta quiser vir para o PMDB, será bem-vinda", acrescentou o senador Eunício Oliveira (CE).

Apesar da rota de colisão com Lula, a ex-prefeita desmente boatos de que possa ir para o PMDB, partido de seu namorado, Márcio Toledo. "É bobagem tudo isso. As pessoas não têm o que falar e ficam inventando história."

Antes de ser vetada por Lula, no entanto, ela negociava com o PMDB a vice na chapa para o deputado Gabriel Chalita (SP), hoje pré-candidato.

Sem o apoio de partidos aliados do governo Dilma Rousseff, como o PR e o PP, e praticamente desconhecido, Haddad está agora à procura de um vice com perfil mais popular.

Ele quer fazer dobradinha com Luiza Erundina (PSB), mas a deputada e ex-prefeita sofre resistências tanto na seara do PT como no seu partido. No atual cenário, crescem as chances de Cesar Callegari, secretário do Ministério da Educação. Prestes a fechar parceria com Haddad, o PC do B também tem candidatos ao posto, como a cantora e deputada Leci Brandão.

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